Christianne Dias alerta sobre riscos e inseguranças legais no setor.

A Abcon (Associação Brasileira das Empresas de Saneamento) solicitou o adiamento do início da reforma tributária voltada para o setor de saneamento básico. A diretora-presidente da associação, Christianne Dias, ressalta que é urgente avaliar a capacidade de resposta às demandas do setor.
"O início de emissão das notas fiscais de saneamento foi adiado em agosto e a maioria das pendências e dúvidas que motivaram o adiamento seguem sem solução", afirmou Dias.
✨ Ela destacou que a retirada do Pis-Cofins das tarifas de água e esgoto em 3.800 contratos do setor é necessária, mas as agências reguladoras não têm mostrado movimentação suficiente, o que gera um "risco real de silêncio regulatório e insegurança jurídica".
A CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) deverá substituir o PIS e a Cofins, com uma alíquota que, se confirmada pelo TCU (Tribunal de Contas da União), pode alcançar 11,3%, o que impactaria a tributação total, levando a uma carga próxima de 30% com a implementação do novo sistema.
Essas dificuldades também são enfrentadas por outros setores de infraestrutura, como energia e telecomunicações, e já provocaram reações no setor de transportes, que prevê aumento nos custos de concessões no próximo ano.
Sobre o novo ciclo de governo, Christianne Dias reforçou que as decisões iniciais serão cruciais para garantir previsibilidade e potencializar investimentos rumo à universalização dos serviços até 2033, conforme estipulado pelo marco legal do setor.
O marco, sancionado em 2023, já está ultrapassando metade do prazo, gerando incertezas sobre o alcance das metas estabelecidas.
Isadora Cohen, colunista de Infra e sócia da ICO Consultoria, comentou que o saneamento representa um dos setores mais desafiadores devido ao volume expressivo de investimentos necessários em curto prazo, como exemplificado pelo caso da Sabesp, que precisa investir R$ 60 bilhões até 2029.
Recentemente, a ANA (Agência Nacional de Águas) orientou as agências subnacionais a aplicar a CBS apenas após o desconto do PIS e Cofins e promoveu debates para evitar desequilíbrios nos contratos que poderiam paralisar investimentos.
A Cagece (Companhia de Água e Esgoto do Ceará) solicitou à ANA a suspensão do "Fator X" durante o período de investimentos para universalização, citando a necessidade de novas contratações e recursos antes que novas áreas gerem receita.
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Jornalista especializado em Política

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