Mesmo fora da disputa presidencial, Jair Bolsonaro continua influenciando a campanha da família e o cenário da direita; novas declarações sobre os episódios posteriores à eleição de 2022 também reacendem o debate sobre seu legado.

Jair Bolsonaro continua exercendo forte influência sobre o cenário político brasileiro mesmo sem disputar a Presidência da República em 2026. O ex-presidente permanece como uma das principais referências eleitorais da direita, enquanto integrantes de sua família tentam transformar seu capital político em votos durante a campanha.
✨ Bolsonaro não é candidato à Presidência em 2026, mas sua imagem continua sendo utilizada como um dos principais ativos políticos do grupo que o acompanha.
A influência do ex-presidente aparece principalmente na candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. O senador iniciou oficialmente sua campanha eleitoral buscando uma associação direta com a trajetória política do pai e tentando consolidar o eleitorado identificado com o bolsonarismo.
No lançamento da campanha em Copacabana, no Rio de Janeiro, Flávio utilizou inclusive um áudio de Jair Bolsonaro durante o evento. A estratégia deixa claro que a presença política do ex-presidente continuará sendo explorada durante a corrida pelo Palácio do Planalto.
Jair Bolsonaro não disputa a Presidência. Flávio Bolsonaro é o candidato presidencial do PL e procura concentrar parte do eleitorado que apoiou o ex-presidente nas eleições anteriores.
A influência de Jair Bolsonaro não está limitada à candidatura presidencial do filho. Michelle Bolsonaro lançou sua candidatura ao Senado pelo Distrito Federal e afirmou publicamente que a missão política havia sido confiada a ela pelo marido.
✨ Com Flávio disputando a Presidência e Michelle buscando uma vaga no Senado, a família Bolsonaro permanece diretamente envolvida nas eleições de 2026.
O cenário eleitoral ocorre enquanto Jair Bolsonaro permanece submetido às consequências dos processos judiciais que marcaram os últimos anos. O ex-presidente teve prisão domiciliar determinada pelo Supremo Tribunal Federal em agosto de 2025 após decisão relacionada ao descumprimento de medidas cautelares.
Posteriormente, em novembro de 2025, o STF decretou sua prisão preventiva a pedido da Polícia Federal. A situação judicial do ex-presidente tornou-se um dos elementos centrais da reorganização política de seus aliados para as eleições de 2026.
O nome de Bolsonaro também voltou ao noticiário após novas declarações do ex-comandante da Força Aérea Brasileira Carlos de Almeida Baptista Junior sobre os acontecimentos posteriores às eleições presidenciais de 2022.
Em entrevista publicada nesta semana, Baptista Junior afirmou que houve risco iminente de uma ruptura institucional naquele período e relatou pressão sobre integrantes das Forças Armadas. As declarações retomam um dos capítulos mais controversos do fim do governo Bolsonaro.
✨ As novas declarações do ex-comandante da Aeronáutica voltaram a colocar os acontecimentos posteriores à eleição de 2022 no centro da discussão política.
A campanha presidencial mostra que o legado do ex-presidente deverá ser constantemente disputado. Enquanto aliados utilizam seu governo e suas bandeiras para mobilizar eleitores, adversários recorrem aos acontecimentos de sua gestão e aos processos posteriores para estabelecer comparações.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, iniciou sua campanha retomando comparações entre seu governo e a administração Bolsonaro. Do outro lado, Flávio Bolsonaro procura transformar críticas ao atual governo em argumento para recuperar o eleitorado que apoiou seu pai.
A eleição de 2026 representa um teste importante para o movimento político construído em torno de Jair Bolsonaro. Pela primeira vez desde sua chegada à Presidência em 2018, o grupo precisa disputar uma eleição presidencial sem o próprio Bolsonaro como candidato.
Isso transforma Flávio Bolsonaro em peça central dessa transição. O desafio do senador será conservar o eleitorado fiel ao pai e, simultaneamente, conquistar brasileiros que não necessariamente possuem identificação direta com Jair Bolsonaro.
A transferência de votos, porém, não acontece automaticamente. Outros candidatos posicionados à direita também disputam espaço nas eleições, criando uma competição interna pelo eleitor que anteriormente poderia se concentrar em torno do ex-presidente.
Essa disputa ajuda a explicar a estratégia de Flávio Bolsonaro de tentar construir uma polarização direta com Lula. Quanto mais a eleição for interpretada como uma disputa entre o atual presidente e o herdeiro político de Jair Bolsonaro, maior tende a ser a possibilidade de concentração do voto bolsonarista.
A ausência de Jair Bolsonaro nas urnas não significou seu desaparecimento do processo eleitoral. Pelo contrário: sua imagem permanece presente nos discursos, eventos e estratégias de aliados e adversários.
Para o PL, existe uma vantagem evidente em manter essa associação porque Bolsonaro conserva uma base eleitoral politicamente mobilizada. Ao mesmo tempo, existe um risco: uma campanha excessivamente dependente do ex-presidente pode dificultar a tentativa de Flávio de construir identidade própria e ampliar seu alcance para além do eleitorado já consolidado.
O resultado das eleições de 2026 deverá oferecer uma resposta importante sobre a capacidade de Jair Bolsonaro de transferir votos. Uma eventual chegada de Flávio ao segundo turno ou uma votação expressiva dos candidatos apoiados pelo ex-presidente reforçaria a permanência do bolsonarismo como uma das principais forças políticas nacionais.
Por outro lado, uma fragmentação significativa do eleitorado conservador mostraria que a influência pessoal de Bolsonaro não necessariamente pode ser transferida integralmente para seus aliados. Essa será uma das principais questões políticas a serem acompanhadas durante a campanha.
Jair Bolsonaro permanece fora da disputa presidencial, mas continua influenciando diretamente a campanha de 2026. Flávio Bolsonaro disputa a Presidência pelo PL, enquanto Michelle Bolsonaro concorre ao Senado pelo Distrito Federal.
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Jornalista especializado em política

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