Levantamento revela queda significativa em comparação a 2022 e mudança no perfil dos candidatos.

As candidaturas coletivas experimentaram uma queda alarmante de 73% nas eleições de 2026 em comparação com 2022, de acordo com um levantamento do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) em parceria com o CommonData.
O estudo registrou apenas 58 grupos este ano, em contraste com 215 no pleito de 2022. Essa retração é bastante superior à queda geral nas candidaturas, que foi de 24,2%, passando de 26.979 para 20.448 registros.
✨ A participação das candidaturas coletivas no total de registros caiu de 0,80% para 0,28%.
As candidaturas coletivas são definidas como aquelas que apresentam uma proposta prévia para a divisão do cargo ou mandato entre duas ou mais pessoas, com integrantes claros em materiais de campanha e publicações. Vale notar que a atual legislação eleitoral brasileira não reconhece candidaturas coletivas como entidades autônomas.
Tramitam no Congresso ao menos cinco propostas voltadas à regulamentação das candidaturas coletivas. A mais avançada, proposta pela deputada federal Soraya Santos (PL-RJ), foi aprovada na Câmara, mas encontra-se presa no Senado desde agosto do ano passado.
Carmela Zigoni, assessora política do Inesc, comentou que essas candidaturas surgiram como uma estratégia para grupos tradicionalmente com menos competitividade eleitoral, como mulheres, LGBTs e negros. No entanto, essa abordagem também foi adotada pelos homens brancos, que historicamente dominam o cenário político.
Os dados de 2026 mostram que, pela primeira vez, as mulheres não são mais a maioria entre as cabeças de chapa de candidaturas coletivas, com 46,5% neste ano, uma queda em relação aos 51,6% de 2022.
Ainda que a pluralidade tenha diminuído, o formato coletividade continua a apresentar uma composição superior em termos de diversidade racial e de gênero em comparação ao total de candidaturas. As mulheres representam 46,5% nas cabeças de chapa coletivas, em relação a 34,8% entre todas as candidaturas.
Zigoni também ressaltou que essa diminuição das candidaturas coletivas deve ser vista em um contexto mais amplo de desafios enfrentados por grupos sub-representados. Menciona mudanças financeiras e a violência política de gênero e raça como fatores possíveis que desestimulam essa participação.
Do total de 58 coletivos identificados, 272 pessoas estão envolvidas, totalizando uma média de 4,7 integrantes por candidatura, um aumento em relação aos 3,9 de 2022. O perfil das lideranças mostrou que 67,2% possuem ensino superior completo, com uma idade média de 47,1 anos.
A análise dos dados também aponta que a maioria das candidaturas coletivas está concentrada em partidos de esquerda, embora tenha perdido a participação proporcional no total.
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Jornalista especializado em Política




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