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política
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França aprova legislação sobre morte assistida com rigorosas condições

Medida permite que adultos com doenças incuráveis solicitem a eutanásia

Gabriel Rodrigues15 de julho de 2026 às 15:50
França aprova legislação sobre morte assistida com rigorosas condições

A Câmara Baixa do Parlamento francês aprovou nesta quarta-feira (15) um histórico projeto de lei que institui legalmente o direito à morte assistida para adultos com doenças incuráveis. A aprovação aconteceu após um extenso debate ético e político, encerrando um impasse que durou longos anos.

Com um total de 291 votos a favor e 241 contrários, a proposta agora aguarda análise do Conselho Constitucional, onde poderá passar por novas modificações. A legislação prevê que, sob condições rigorosas, indivíduos diagnosticados com doenças incuráveis podem solicitar uma substância letal para pôr fim à sua vida.

A nova lei permitirá a autoadministração do composto letal ou, se necessário, a administração realizada por um médico ou enfermeiro.

Critérios para acesso à morte assistida

O acesso à morte assistida será restrito a adultos que sejam cidadãos franceses ou residentes legais no país e que enfrentem situações clínicas graves e incuráveis. Esses pacientes devem demonstrar sofrimento físico ou psicológico intenso, e deverão ser capazes de expressar sua escolha de forma livre e informada.

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O presidente Emmanuel Macron destacou a importância do debate envolvido na questão, ressaltando a necessidade de ouvir a população e abordar o tema com respeito e seriedade.

A legalização da morte assistida já ocorre em outros países da Europa, como Suíça, Bélgica e Países Baixos. Nos Estados Unidos, alguns estados também permitem essa prática em casos específicos.

Apoio e oposição à medida

Pesquisas indicam que a maioria da população francesa apoia a morte assistida. Um estudo recente do instituto Ifop mostrou que 84% dos entrevistados eram favoráveis à legislação. Defensores da medida acreditam que ela proporcionará uma maior autonomia para aqueles que enfrentam dor intensa no final da vida.

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A possibilidade de decidir sobre o próprio fim, quando o sofrimento é insuportável, é essencial para a dignidade humana.

Por outro lado, críticos, incluindo setores médicos e religiosos, argumentam que a legalização pode gerar pressões indevidas sobre pessoas vulneráveis. A Igreja Católica, por exemplo, manifestou forte oposição, apontando preocupações éticas sobre a questão.

Como funcionará a nova legislação?

Segundo o projeto de lei, pacientes interessados devem solicitar a morte assistida a um médico, que fará uma avaliação junto a outro profissional de saúde. A decisão deve ser confirmada após um período de reflexão de, pelo menos, dois dias, e os médicos têm o direito de optar por não participar do processo, devendo indicar outros colegas dispostos a ajudar.

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