Desinformação e algoritmos afetam acesso a diferentes opiniões

O uso da inteligência artificial nas redes sociais pode influenciar diretamente a forma como os eleitores acessam informações, criando fenômenos como a bolha de informação. Isso ocorre quando algoritmos priorizam conteúdos semelhantes ao que o usuário já consumiu, limitando a diversidade de opiniões em períodos eleitorais.
Eduardo Mayer Fagundes, especialista em inteligência artificial, destaca que esses sistemas aprendem com o comportamento do usuário. Por exemplo, após uma publicação sobre o nascimento de um neto, a usuária Maria Aparecida Oliveira Diamantino passou a receber predominantemente conteúdo relacionado a crianças, reforçando seu interesse inicial.
Embora a personalização possa trazer benefícios ao conectar o usuário a assuntos de seu interesse, o problema surge quando as pessoas se fecham em suas próprias opiniões, sem exposição a críticas ou ideias divergentes. Fagundes enfatiza que essa situação pode levar o eleitor a acreditar que está acessando uma variedade de visões, quando na verdade, é apenas uma repetição do que já pensa.
"A máquina não pensa. A máquina aprende
✨ Inteligência artificial pode reforçar opiniões: O fenômeno da 'bajulação'.
Outro fator preocupante são os chatbots, que frequentemente concordam com os usuários, prática chamada de 'bajulação'. De acordo com Fernanda Campagnucci, diretora do InternetLab, esse comportamento foi identificado e pode ser usado para manter o interesse do usuário em um determinado conteúdo.
Anderson Rocha, professor da Unicamp, recomenda que o usuário questione a inteligência artificial em busca de perspectivas opostas, como uma maneira de fugir da bolha de informação.
Outro desafio são as 'alucinações da inteligência artificial', fenômeno onde sistemas apresentam informações falsas de forma confiante. Isso ocorre quando a IA não tem uma resposta concreta e, mesmo assim, fornece uma resposta que pode enganar o usuário, tornando essencial a verificação das informações encontradas.
O filósofo Mario Sergio Cortella sugere que usuários adotem o mesmo critério de cuidado que aplicam ao tomar decisões na vida real, como pesquisar e consultar diferentes opiniões antes de agir. Fagundes também aconselha a cautela com conteúdos que gerem forte emoção e a importância de desconfiar de manchetes sensacionalistas.
A recomendação geral entre os especialistas é que os cidadãos busquem diversas fontes de informação, verifiquem a origem dos dados e comparem diferentes narrativas para formar uma opinião mais embasada e crítica no ambiente digital.
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Jornalista especializado em política

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