Voltar
política
3 min de leitura

Polícia Federal prende pastor Márcio Poncio em nova fase da Operação Unha e Carne

Investigações revelam esquema de lavagem de dinheiro ligado ao jogo do bicho

Tiago Abech02 de julho de 2026 às 09:05
Polícia Federal prende pastor Márcio Poncio em nova fase da Operação Unha e Carne

Na manhã desta quinta-feira, 2, a Polícia Federal efetuou a prisão do pastor e empresário Márcio Poncio como parte da quinta fase da Operação Unha e Carne. Essa operação visa investigar um suposto esquema de lavagem de dinheiro que estaria relacionado à nova liderança do jogo do bicho no Rio de Janeiro.

Além de Poncio, o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, do União Brasil, também fazem parte da investigação. Ambos já se encontram sob custódia policial. A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que expediu três mandados de prisão preventiva, 14 de busca e apreensão e ordenou o sequestro de bens no valor de até 22 milhões de reais.

A investigação busca aprofundar os indícios de lavagem de dinheiro e suas conexões com membros dos Poderes Executivo e Legislativo no Rio de Janeiro.

Entre os locais vasculhados na operação, está o ex-deputado federal Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral. A PF alega que novas evidências surgiram após a apreensão de planilhas que indicam pagamentos irregulares e doações eleitorais, possivelmente vinculados à lavagem de dinheiro.

Márcio Poncio foi detido em sua residência na Barra da Tijuca. Ele é pastor da Igreja da Nuvem e empresário no setor de cigarros, além de ser pai da deputada estadual Sarah Poncio e do cantor Saulo Poncio. A investigação apura sua potencial ligação com a chamada 'Máfia do Cigarro', que, segundo a PF, é dirigida por Adilsinho.

Origem da Operação Unha e Carne

A Operação Unha e Carne foi iniciada no final de 2025 e, inicialmente, tinha como foco um suposto vazamento de informações sigilosas relacionadas a ações policiais contra o Comando Vermelho. Com o tempo, os esforços de investigação se ampliaram para investigar proteção ao crime organizado, lavagem de dinheiro, e conexões entre membros desse grupo criminoso e oficiais públicos.

Rodrigo Bacellar, que também ocupou a presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, tornou-se um dos principais alvos da investigação. Ele foi preso novamente após a cassação de seu mandato e sua denúncia pela Procuradoria-Geral da República. Em fases anteriores da operação, o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto também foi detido por suspeita de envolvimento no vazamento de informações.

Contexto

Essa investigação é parte das medidas determinadas pelo STF no âmbito da ADPF 635, que responsabiliza a Polícia Federal pela apuração de atividades de organizações criminosas e suas interações com agentes públicos no estado do Rio de Janeiro.

A equipe de CartaCapital buscou contato com os representantes legais dos envolvidos na operação de hoje. O espaço para resposta está aberto.

Não perca nenhuma notícia!

Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.

Ao assinar, você concorda com nossa política de privacidade.

Gostou desta notícia? Compartilhe!

Mais de política