Governo e oposição disputam alinhamento sobre a proposta após eleições que fortaleceram a direita no Senado.

A discussão sobre o término da escala 6×1 coloca Davi Alcolumbre, presidente do Senado, em uma posição delicada entre a pressão do governo Lula (PT) e a oposição bolsonarista. O governo pretende que a pauta seja votada na quarta-feira, 7, enquanto a oposição articula um adiamento até após o resultado das eleições de 4 de setembro, que ampliou a força da direita no Senado.
Alcolumbre manifesta preocupação ao lidar com as pressões de ambos os lados, enquanto se volta também para a eleição do comando do Senado, que ocorrerá em fevereiro de 2027. O resultado das urnas complicou ainda mais a sua sucessão: o PL teve 19 senadores eleitos e, a partir de 2027, contará com 28 integrantes, estabelecendo a maior bancada na Casa.
Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) e crítico da PEC que acaba com a 6×1, já se lançou como candidato à presidência do Senado. O governo, por sua vez, tenta manter a agenda da proposta, que é uma das principais bandeiras de Lula para o segundo turno.
✨ O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, ressaltou que o Executivo continua tentando aprovar a PEC ainda nesta semana e não acredita que o cenário eleitoral altere o ambiente para a votação.
As discussões estão programadas para esta terça-feira, 6, com mais duas sessões previstas para quarta e quinta-feira, 8. O governo almeja acelerar o processo a fim de levar a proposta à votação rapidamente, contanto que consiga formar o quórum necessário, que exige 49 votos favoráveis em cada um dos dois turnos no Senado.
Entretanto, a oposição aproveita o resultado das eleições como justificativa para adiar a proposta, convocando lideranças a não comparecer às sessões, o que pode dificultar a formação do quórum. Pressões de entidades empresariais contra uma aprovação rápida também surgem, argumentando que a composição do Senado mudou e que acelerar uma proposta que se tornou mais complexa após as eleições não faria sentido.
O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), reeleito no domingo, observou que o governo terá dificuldades em reunir senadores para a votação, reforçando a posição da oposição em barrar essa proposta. Apesar da resistência na Casa, a PEC continua a ter apoio majoritário entre a população, com uma pesquisa Genial/Quaest de julho revelando que 69% dos entrevistados eram favoráveis ao fim da escala 6×1.
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Jornalista especializado em Política

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