Senado aprova crédito rural para renegociação de dívidas de produtores
Medida visa apoiar agricultores afetados por eventos climáticos e crises econômicas

Em uma votação realizada na última quarta-feira (10), o Senado Federal aprova um projeto que estabelece uma linha de crédito especial destinada à renegociação das dívidas dos produtores rurais, gerando repercussões significativas nas finanças do governo.
Essa medida, promovida pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), visa ajudar agricultores impactados por desastres naturais e consequências econômicas de conflitos globais. Contudo, houve modificações no texto, o que exigirá uma nova análise pela Câmara dos Deputados antes de sua sanção pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
✨ O projeto é considerado uma 'pauta-bomba' devido ao seu potencial impacto financeiro, que pode chegar a R$ 817 bilhões nos próximos treze anos.
Conforme informações da Fazenda, caso todos os elegíveis aceitem o refinanciamento, a dívida pública poderá ser bastante afetada, resultando em R$ 150 bilhões apenas em 2027. No entanto, o relator do projeto, Renan Calheiros (MDB-AL), discorda, afirmando que o impacto será limitado a R$ 120 bilhões ao longo de dez anos, já que a proposta se destina exclusivamente a dívidas em atraso.
O termo 'pauta-bomba' refere-se a iniciativas legislativas que criam grandes despesas ou redução nas receitas, resultando em significativos efeitos adversos nas contas públicas. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, buscou, sem sucesso, evitar a votação de projetos prejudiciais às finanças do governo, incluindo esse relacionado à dívida agrícola.
Na mesma tarde, Renan Calheiros e a senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura, se reuniram com Durigan. Apesar da resistência do governo quanto à proposta na atual versão, Alcolumbre decidiu levar o texto a votação, ressaltando a falta de acordo entre o governo e o Senado.
A proposta prevê a utilização de recursos do Fundo Social, cuja origem são receitas do petróleo do pré-sal, para subsidiar as novas linhas de crédito. As taxas de juros estabelecidas variam de acordo com o tipo de produtor: 3,5% para agricultores familiares, 5,5% para médios e 7,5% para demais agricultores, com limites de até R$ 10 milhões para cada beneficiário e R$ 50 milhões para cooperativas.
Os financiamentos terão um período de pagamento de dez anos, com três anos de carência, e abrangerão diversas operações, incluindo custeio e investimento. Além disso, o governo poderá recorrer a diversos fundos regionais para implementar as estratégias do projeto.
Contexto Financeiro
As receitas do Fundo Social e superávits acumulados em 2025 serão utilizados para financiar as operações de crédito, que também estarão isentas de cobranças durante o período de contratação. Um relatório detalhando os valores contratados deverá ser apresentado ao Congresso em até 180 dias após a aprovação.
Leia Também
Não perca nenhuma notícia!
Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.
Gostou desta notícia? Compartilhe!
Mais de política

Câmara analisa modernização do seguro rural, com novas garantias
Atualização do marco legal deve facilitar acesso a crédito rural

FPA discute redução de impostos e renegociação de dívidas rurais
Legisladores buscam soluções para desafios do setor agropecuário

Câmara aprova projeto para liberar crédito rural a produtores no Pará
Medida evita sanções imediatas baseadas em monitoramento remoto de desmatamento

Senador Renan Calheiros modifica projeto de renegociação de dívidas rurais
Mudanças ocorrem antes da votação no Senado, prevista para esta quarta-feira





