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Tarifa de 25% dos EUA pode impactar exportações de etanol do Brasil

Especialista aponta mudanças no setor sucroenergético brasileiro

Giovani Ferreira11 de junho de 2026 às 17:10
Tarifa de 25% dos EUA pode impactar exportações de etanol do Brasil

A proposta dos Estados Unidos de implementar uma tarifa extra de 25% sobre produtos brasileiros poderá provocar efeitos significativos no setor de etanol do Brasil, segundo a análise da especialista Letícia Corrêa, da StoneX. Essa medida pode não apenas impactar as exportações, mas também acelerar mudanças no mercado global de biocombustíveis.

Mudanças no cenário de etanol

A discussão sobre essa tarifa ocorre em um momento crítico, já que os Estados Unidos estão considerando aumentar permanentemente a mistura de etanol na gasolina, com a introdução do E15. Isso pode resultar em uma elevação do consumo interno de etanol nos EUA e redução do excedente exportável, criando espaço para novos fornecedores no mercado global, incluindo o Brasil.

A proposta tarifária pode substituir a atual tarifa temporária de 10%, aumentando a pressão comercial sobre o Brasil.

Contexto da proposta

A proposta surge após a conclusão de uma investigação pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA, que levantou questões sobre o comércio de etanol, incluindo os termos de reciprocidade tarifária anteriormente aplicados.

O governo americano considera que a interrupção dessa política em 2017 prejudicou sua capacidade de ingressar no mercado brasileiro, enquanto o etanol brasileiro manteve acesso privilegiado ao mercado norte-americano. A fase atual do processo inclui uma consulta pública aberta até 1º de julho, seguida de uma audiência em Washington e decisão final prevista para 15 de julho.

Exportações brasileiras e mercado global

Em 2019, o Brasil exportou 957 milhões de litros de etanol para os Estados Unidos, mas esse volume caiu drasticamente para 202 milhões em 2025, marcando uma retração de 18%. Enquanto os EUA correspondiam a cerca de 69% das exportações de etanol do Brasil em 2017, essa participação despencou para apenas 16% em 2023.

"

"O crescimento da produção de etanol nos EUA ampliou sua capacidade de suprir a demanda interna e expandir sua atuação como exportador,"

Letícia Corrêa, StoneX.

A recente aprovação do projeto H.R. 1346 na Câmara dos Deputados dos EUA, que propõe a venda de gasolina com 15% de etanol durante todo o ano, pode ocasionar mudanças relevantes no mercado. A norma atualmente limita as vendas sazonais do E15 por questões ambientais, e sua expansão pode intensificar a demanda pelo etanol americano, reduzindo ainda mais as exportações potenciais.

As estimativas indicam que, até 2027, o potencial exportável dos EUA poderá cair em 76,7%, proporcionando ao Brasil uma chance de aumentar sua fatia no mercado europeu e indiano.

Contudo, a inserção da nova tarifa de 25% representa um fator de incerteza em um período de expansão da produção brasileira. A safra 2026/27 é projetada para ser uma das maiores da história, com a moagem de cana alcançando 60,5 milhões de toneladas até abril de 2026. A produção de etanol pode chegar a 26,9 milhões de metros cúbicos, aumentando a dependência das exportações.

Assim, a StoneX observa que a disputa comercial acontece em um momento em que o mercado global apresenta novas oportunidades para o etanol brasileiro, enfatizando que o comportamento do câmbio será crucial para a competitividade das exportações nos próximos meses.

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