Tribunal não analisou o mérito da liminar do ministro André Mendonça

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, por maioria, redistribuir um processo que envolve a Federação Brasil da Esperança, que agrupa os partidos PT, PCdoB e PV, após uma análise que considerou inadequada a distribuição inicial da ação ao ministro André Mendonça.
Durante a sessão de julgamento, realizada de forma virtual entre os dias 12 e 14 de agosto, a Corte não se debruçou sobre o mérito da liminar que Mendonça havia concedido, que solicitava à federação a entrega de gravações e documentos relativos ao 8º Congresso Nacional do PT e ao projeto "Porta-Vozes de Lula".
A decisão de redistribuição foi tomada após a divergência aberta pelo ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, que foi apoiado por outros ministros, incluindo Antonio Carlos Ferreira e Floriano de Azevedo Marques. A proposta foi considerada por eles a forma adequada de proceder, enquanto Mendonça e Dias Toffoli ficaram em minoria.
A liminar de Mendonça havia sido um pedido do PL (Partido Liberal), que acusava o PT de usar a estrutura partidária e recursos públicos para disseminar conteúdos desonrosos sobre Flávio Bolsonaro. O ministro havia determinado a preservação e entrega de registros do congresso e documentos contábeis da organização dos eventos.
✨ A decisão não incluiu a avaliação da necessidade de entrega dos documentos pelo PT.
Conforme alegações do PL, o 8º Congresso Nacional do PT, ocorrido em abril, apresentou uma estratégia de comunicação que visava associar Flávio Bolsonaro a atividades criminosas. O projeto "Porta-Vozes de Lula" teria, meses depois, mobilizado militantes na internet para promover uma campanha de difamação.
Mendonça justificou sua estruturação da liminar, indicando a importância de garantir a permanência das provas durante a apuração, considerando a possibilidade de que registros digitais possam ser perdidos ao longo do tempo.
Ele também destacou que as táticas da militância digital, assim como as críticas a concorrentes, não são, por si só, algo ilegal, desde que não envolvam compensações financeiras em troca das publicações.
Com a decisão, o caso será repassado a outros membros da Corte para que continuem a análise necessária.
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Jornalista especializado em Política

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