Pesquisa da USP e Universidade de Auckland atesta benefícios nutricionais e ambientais

A combinação de arroz e feijão, um pilar da dieta brasileira, foi associada a uma alimentação mais equilibrada e a menores custos, conforme um estudo recente publicado na revista Public Health Nutrition. O levantamento, realizado por cientistas da Faculdade de Saúde Pública da USP e da Universidade de Auckland, analisou dados de 46.164 brasileiros e indica que essa dupla básica é crucial para a segurança alimentar e nutricional do país.
De acordo com a pesquisa, que utilizou dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF 2017-2018) do IBGE, arroz e feijão juntos forneceram cerca de 16% da energia presente na dieta nacional, com o arroz representando 10,75% das calorias diárias e o feijão, 6,33%. Essa combinação foi observada em diversos grupos sociais, sendo mais consumida por homens, população negra e moradores da zona rural, enquanto o consumo foi menor na Região Sul.
✨ O estudo concluiu que uma maior presença de arroz e feijão na alimentação está relacionada a menos inadequações nutricionais.
Os participantes que consumiram menos arroz e feijão apresentaram em média 4,54 inadequações nutricionais, enquanto aqueles com maior consumo tiveram um índice reduzido para 2,52, o que representa uma queda de 44,49%. Dietas ricas nesses alimentos mostraram níveis reduzidos de açúcares adicionados, gorduras insalubres e aumentaram a ingestão de fibras, proteínas e minerais.
Os pesquisadores destacaram que a combinação alimentar é nutricionalmente complementar: enquanto o arroz possui aminoácidos de alta qualidade, o feijão é rico em fibras e proteínas vegetais. Contudo, ressaltam a importância de uma dieta equilibrada que inclua legumes, verduras e outras fontes de proteína.
O estudo também analisou o impacto ambiental das dietas. Os participantes com menor consumo de arroz e feijão tinham uma pegada de carbono estimada em 4.984 gramas de CO2 equivalente por dia, enquanto os maiores consumidores apresentaram uma redução para 4.105 gramas. A água utilizada na produção alimentar também foi significativamente menor entre os grupos que consumiam mais da combinação.
Em relação ao custo, a pesquisa apontou que a dieta dos que menos consumiam arroz e feijão custava em média R$ 9,94 por dia, enquanto a dieta dos que mais consumiam essa combinação ficou em R$ 6,16, evidenciando uma economia de 38,03%. apesar de os valores refletirem preços do período da pesquisa.
Os pesquisadores lembram que, apesar dos resultados promissores, o estudo possui caráter transversal, evidenciando associações, mas não determinando causalidade direta. O grande tamanho da amostra e sua representatividade nas diversas regiões do Brasil acrescentam credibilidade aos resultados obtidos.
Assim, o levantamento reitera a importância do consumo de arroz e feijão conforme as orientações do Guia Alimentar para a População Brasileira, que enfatiza o uso de alimentos in natura como base para a alimentação, destacando esta combinação como algo culturalmente significativo e nutritivo para a sociedade.
Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.
Gostou desta notícia? Compartilhe!

A combinação tradicional continua sendo um pilar da alimentação saudável

Dr. Kalil promove debate sobre anorexia e bulimia com especialistas

Relatório revela redução consistente, mas desafios permanecem

Professor da Unicamp confirma que técnica de cozimento é crucial