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Saúde
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Enfermagem denuncia descumprimento do piso salarial na Câmara dos Deputados

Representantes alertam sobre salário abaixo do estipulado em diversas regiões

Carlos Silva12 de maio de 2026 às 17:30
Enfermagem denuncia descumprimento do piso salarial na Câmara dos Deputados

Na terça-feira (12), representantes da enfermagem se manifestaram na Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados, destacando que o cumprimento do piso salarial da categoria ainda não ocorre de forma integral em diversos municípios e instituições privadas.

Durante a audiência, dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e informações sobre repasses federais foram apresentados, evidenciando a situação. Atualmente, a legislação define salários de R$ 4.750 para enfermeiros, R$ 3.325 para técnicos de enfermagem e R$ 2.375 para auxiliares e parteiras.

Cerca de 53,5% dos enfermeiros, 68,4% dos técnicos e 38,7% dos auxiliares recebem menos do que o valor estabelecido pela lei.

Marisa de Miranda Rodrigues, chefe da Divisão de Fiscalização do Exercício Profissional do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), apontou que as fiscalizações revelam uma carga excessiva de trabalho, jornadas longas e a precarização das condições laborais das equipes.

Ela também criticou a interpretação do Supremo Tribunal Federal (STF) que condicionou o piso a uma carga de 44 horas semanais. Durante o debate, foi defendida a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 19/24, que já passou pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, propondo vincular o piso a uma carga de 36 horas semanais.

A diretora do Departamento de Gestão e Regulação do Trabalho na Saúde do Ministério da Saúde, Evellin Bezerra da Silva, destacou a regulamentação da assistência financeira complementar pela Portaria GM/MS 1.135/23, que beneficia mais de 700 mil trabalhadores em 5.170 municípios com repasses federais que totalizam R$ 31 bilhões entre 2023 e 2026.

Davi Ionei Soares Apóstolo, presidente do Conselho Regional de Enfermagem da Bahia (Coren-BA), ressaltou que a inflação afetou o poder de compra do piso, que deveria ser de R$ 5.590 para enfermeiros, R$ 3.900 para técnicos e R$ 2.795 para auxiliares se corrigida.

Os deputados Bruno Farias, Heloísa Helena e Jorge Solla manifestaram apoio à tramitação da PEC e à necessidade de maior fiscalização dos recursos destinados ao pagamento do piso salarial. A Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara pode incluir este tema em seu Plano Anual de Fiscalização, com potencial acompanhamento do Tribunal de Contas da União (TCU).

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