Leite não pasteurizado pode transmitir doenças graves, como tuberculose bovina e brucelose, alertam pesquisadores.

O consumo de leite direto da vaca, embora comum em algumas culturas, é desaconselhado por especialistas devido ao risco de contaminação por bactérias, vírus e microrganismos que podem causar doenças graves. Essas zoonoses, que são transmitidas de animais para humanos, afetam milhões de pessoas ao ano.
O professor Márcio Roberto Silva, da Embrapa Gado de Leite, aponta que 13 zoonoses significativas impactam a saúde mundial, resultando em aproximadamente 2,4 bilhões de casos e 2,2 milhões de mortes anualmente. Entre as condições transmitidas pelo leite cru estão infecções gastrointestinais, que podem ser provocadas por agentes como Salmonella e Campylobacter jejuni.
A tuberculose bovina é uma das doenças destacadas. Silva destaca sua identificação entre pacientes em Juiz de Fora (MG), ressaltando que a transmissão pode ocorrer mais facilmente através do leite não pasteurizado. Efeitos de doenças como mastite nas vacas podem levar à contaminação do leite, colocando os consumidores em risco.
✨ A pasteurização do leite, adotada desde a década de 1910, reduz drasticamente o risco de doenças, como tuberculose bovina. Estudos apontam que antes dessa técnica, a doença correspondia a 25% dos casos de tuberculose humana nos EUA, índice que caiu para 0,1% após a pasteurização.
Ainda assim, o Brasil enfrenta desafios na vigilância de zoonoses. Silva enfatiza a necessidade de um monitoramento mais rigoroso, especialmente em regiões onde tuberculose e brucelose não estão controladas. A brucelose, que pode afetar a saúde reprodutiva de mulheres, é um problema que demanda atenção.
O pesquisador tem buscado sensibilizar o Ministério da Saúde para priorizar a vigilância em tuberculose zoonótica e expandir as investigações sobre a saúde pública relacionada ao consumo de leite cru, enfatizando a importância de práticas adequadas de higiene na ordenha e pasteurização.
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