Especialistas alertam para a importância da identificação precoce dos sintomas.

O linfoma se caracteriza como um tipo de câncer que afeta os linfócitos, as células do sistema imunológico fundamentais para a defesa do corpo. Esta doença pode se manifestar nos linfonodos - conhecidos popularmente como gânglios - bem como em outras partes do sistema linfático. Um dos desafios no seu tratamento é que os primeiros sinais frequentemente não são específicos, podendo ser confundidos com condições de saúde comuns.
Roberto Luiz Silva, médico hematologista e responsável pelo Departamento de Transplante de Medula Óssea do IBCC Oncologia, alerta para sintomas que merecem atenção, especialmente quando persistem. "Muitos pacientes recorrem ao consultório após semanas ou meses tratando de sintomas inespecíficos, como febre persistente, suor noturno ou cansaço excessivo. O aumento dos gânglios linfáticos, particularmente no pescoço, axilas e virilha, geralmente é um dos sinais mais notáveis e deve ser investigado", explica.
Os linfomas são classificados em dois grupos principais: linfoma de Hodgkin e linfoma não Hodgkin. O primeiro, embora menos comum, pode surgir em diversas idades, sendo mais frequente entre adolescentes e idosos. Em contrapartida, o linfoma não Hodgkin abrange mais de 50 variantes, que podem ter comportamentos muito distintos, variando de crescimento lento a formas mais agressivas.
✨ O linfoma não Hodgkin ocupa a 11ª posição entre os tipos de câncer mais incidentes no Brasil, enquanto o linfoma de Hodgkin está na 20ª posição.
Os sintomas variam conforme o tipo de linfoma e a área afetada. Sinais importantes incluem: aumento dos linfonodos, especialmente no pescoço, axilas ou virilha; febre persistente; suor noturno intenso; cansaço excessivo; perda de peso inexplicada; coceira persistente; falta de ar ou tosse, em alguns casos. É fundamental que se dê atenção à persistência desses sinais, especialmente se acompanhados de outros sintomas. "O corpo costuma dar sinais, e a presença de linfonodos aumentados sem dor, perda de peso inexplicada, febre recorrente e suor noturno intenso não devem ser desconsiderados", alerta Silva.
O diagnóstico inicia-se com uma avaliação clínica, podendo incluir exames de sangue e de imagem. Caso haja suspeita de linfoma, a confirmação é feita por meio de biópsia do linfonodo ou de outra área comprometida. A análise do tecido afetado é crucial para determinar o subtipo da doença e suas características, já que diferentes subtipos podem ter comportamentos e respostas ao tratamento variados.
O tratamento é escolhido com base no tipo de linfoma, no estágio da doença e nas condições clínicas do paciente. A quimioterapia ainda é amplamente utilizada, mas novas opções, como medicamentos direcionados, imunoterapia e transplante de células-tronco hematopoéticas, têm se mostrado eficazes. Silva destaca que "a Hematologia avançou significativamente nos últimos anos, permitindo o uso de medicamentos mais específicos com menor toxicidade".
Um dos avanços mais significativos é a terapia com células CAR-T, utilizada em casos específicos, especialmente para linfomas não Hodgkin que não responderam a tratamentos anteriores. Essa abordagem envolve a coleta e modificação em laboratório dos linfócitos T do paciente para que reconheçam e ataquem as células cancerígenas. A terapia é indicada para tipos específicos, como o linfoma difuso de grandes células B, linfoma do manto e linfoma folicular.
Por exigir infraestrutura especializada e rigoroso acompanhamento, o tratamento deve ser realizado em centros habilitados, pois pode apresentar efeitos adversos significativos, como reações inflamatórias intensas e alterações neurológicas que precisam ser monitoradas.
As chances de controle ou cura do linfoma variam conforme o tipo, estágio do diagnóstico, características do paciente e resposta ao tratamento. Embora alguns linfomas sejam mais lentos, outros apresentam evolução rápida. Porém, mesmo em casos agressivos, os avanços nas opções de diagnóstico e tratamento ampliaram as possibilidades. Silva conclui que "quanto mais cedo o diagnóstico, maiores são as chances de controle da doença e resposta positiva ao tratamento". Portanto, é essencial não ignorar sintomas persistentes.
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Jornalista especializado em Saúde

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