Desenvolvedores buscam alternativas para uma condição que afeta milhões, visando menos efeitos colaterais.

Pesquisadores e empresas farmacêuticas estão desenvolvendo vacinas que podem mudar a forma de tratar a acne, condição que afeta adolescentes e adultos e está associada a impactos emocionais como depressão e isolamento social.
A abordagem parte da hipótese de que a acne não é uma infecção, mas uma reação exagerada do sistema imunológico a proteínas liberadas pela bactéria Cutibacterium acnes, conforme relatou a revista New Scientist.
A Sanofi prepara testes nos Estados Unidos e no Canadá de uma vacina de mRNA que tem como alvo ao menos uma proteína bacteriana. Já a startup norte-americana Armora Biosciences concentra esforços em outra proteína.
✨ O estudo da Sanofi ainda constava como “ainda não recrutando” na última atualização, de 18/09, o que indica que os resultados podem demorar a aparecer.
Há décadas se sabe que a acne está ligada à presença da C. acnes, bactéria que vive no fundo dos folículos capilares, em ambiente com pouco oxigênio. No entanto, o micro-organismo é o mais comum da pele e está presente em quase todas as pessoas, inclusive nas que não têm acne.
Fatores como a alta hormonal na puberdade aumentam a produção de substâncias gordurosas na pele e influenciam o crescimento bacteriano. A genética também parece pesar.
Para Richard Gallo, da Universidade da Califórnia em San Diego, a acne é um problema imunológico, não uma infecção. Recentemente, ele explica que a bactéria aciona uma resposta forte dentro do folículo, causando um mecanismo conhecido como adipogênese reativa.
A equipe de Gallo testou em camundongos uma vacina contra a toxina CAMP, secretada pela C. acnes, com o objetivo de induzir a produção de anticorpos que neutralizem a toxina. A Sanofi desenvolveu uma vacina de mRNA contra a CAMP, possivelmente combinada com outras proteínas da bactéria.
A Armora Biosciences aposta em outra proteína, a hialuronidase, relacionada a processos inflamatórios da acne, que segundo estudos é mais comum entre determinadas cepas de C. acnes.
Os achados também podem ajudar a explicar por que os antibióticos, comumente prescritos para acne, não funcionam tão bem, uma vez que eles eliminam tanto as cepas benéficas quanto as prejudiciais.
As vacinas em desenvolvimento são vistas como uma alternativa com menos efeitos colaterais e menores problemas de resistência, visando proteínas secretadas e não as bactérias diretamente.
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