Palestra em São Paulo aborda o papel da inteligência artificial nos negócios

A inteligência artificial (IA) está transformando radicalmente a forma como as empresas analisam informações e antecipam cenários, mas isso não deve se confundir com o poder de decisão, que deve sempre permanecer humano. Essa ideia central foi abordada pelo professor Silvio Meira durante sua palestra no evento 'Arena Impacto, Shaping the Future', ocorrido em São Paulo.
Para Meira, a IA atua como uma bússola que expande a visão e organiza os dados, no entanto, a direção é uma prerrogativa humana. 'A habilidade mais desafiadora agora é saber quando não confiar na tecnologia', ressaltou.
✨ O uso inadequado da IA pode levar a respostas erradas que parecem precisas.
Ele citou um estudo do Boston Consulting Group que demonstra que a tecnologia pode elevar a produtividade quando aplicada corretamente. Fora dessas condições, ela pode induzir a erros significativos. Meira também discutiu como a integração da IA aos dados da empresa é vital para criar uma vantagem competitiva real, afirmando que os usos básicos da tecnologia estão se tornando commodities.
O professor alertou sobre o receio das empresas em utilizar dados próprios em ambientes na nuvem por questões de compliance. Ele observou que muitas organizações recorrem a dados públicos, mas essa abordagem não estabelece uma vantagem sustentável. O que diferencia uma empresa é o conhecimento interno e a habilidade de converter dados em inteligência acionável.
"'Esqueçam temporariamente o compliance, subam os dados do seu smartphone. Todos os trabalhadores estão fazendo isso. Então subam vocês também.'
Para Meira, é fundamental que as empresas desenvolvam suas capacidades internas para analisar e auditar dados, aprendendo com decisões tomadas. Embora a IA possa acelerar esse processo, a definição de prioridades e avaliação de riscos é uma responsabilidade humana que não pode ser negligenciada.
Mudanças que outrora levavam décadas, agora ocorrem em janelas de dois a três anos. Por isso, os investimentos em IA devem ser vistos também como uma oportunidade de auxiliar as empresas a definir sua estratégia competitiva futura. 'Quanto melhores os resultados de hoje, mais logicamente você pode justificar o financiamento de sua capacidade estratégica para os próximos anos', enfatizou.
O especialista também abordou a necessidade de gerenciar decisões em diferentes ritmos: um rápido para automatizações imediatas, um intermediário para ações que levam meses, e um mais lento, focado em decisões que definem a competitividade a longo prazo. 'O pior erro é gerenciar tudo de forma acelerada, enquanto o segundo pior é fazê-lo de maneira excessivamente lenta.'
A palestra foi parte do evento 'Arena Impacto' organizado por Valor e Globo Rural, com patrocínio da Solinftec.
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Jornalista especializado em Tecnologia

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