Tecnologia desenvolvida na UESC permite treinamento virtual eficiente e seguro para novos funcionários.

Com a utilização de óculos inteligentes que proporcionam uma experiência de realidade virtual, trabalhadores na indústria do chocolate podem agora participar de treinamentos à distância, aprendendo todas as etapas necessárias para transformar amêndoas do cacau em chocolate. Essa iniciativa foi desenvolvida pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) em Ilhéus, na Bahia.
Os óculos são equipados com uma inteligência artificial chamada "Guia Cacau", que funciona como um instrutor virtual. Segundo Amanda Oliveira, doutoranda em Modelagem Computacional pela UESC, essa tecnologia permite que o usuário converse com o sistema. "Quando o usuário fala, o sistema primeiro transforma a fala em texto, interpreta o que foi dito e responde por voz, proporcionando um diálogo fluido em questão de segundos", explica.
✨ O 'Guia Cacau' consegue identificar ações do usuário na realidade virtual, evitando instruções fora de contexto durante o treinamento.
Apresentada na Expocacau 2026, a tecnologia tem o potencial de substituir tutores humanos durante o treinamento de novos funcionários, liberando gestores de interromper operadores experientes. "Isso não só economiza tempo, mas também minimiza o risco de danos a equipamentos", comenta Oliveira. A tecnologia permite que os funcionários treinem em um ambiente seguro, eliminando riscos reais.
Além da tecnologia de treinamento para a indústria do chocolate, a UESC também desenvolveu uma simulação de realidade virtual para o cultivo de cacaueiros na cabruca, um sistema sustentável que permite que os cacaueiros cresçam sob a sombra das árvores da Mata Atlântica. Este projeto, que conta com apoio financeiro do Edital Incite e da Fapesb, visa romper a falta de tecnologia no setor do cacau, que é predominantemente ocupado por pequenos produtores.
A equipe de pesquisa busca agora indústrias de chocolate que possam se interessar em implementar essa tecnologia. O modelo atual baseou-se em fábricas de chocolate artesanais, mas já estão sendo desenvolvidas simulações para indústrias de médio porte, utilizando manuais de maquinários. Oliveira ressalta que o objetivo é retreinar a IA conforme os novos ambientes forem estabelecidos.
Para Vitor Stella, coordenador técnico da CocoaAction Brasil, a inovação é crucial para modernizar o setor do cacau, que carente de tecnologia, precisa de novas técnicas que possam beneficiar os pequenos produtores. "Investir em tecnologia no campo leva a aumentos na produtividade e eficiência, promovendo um maior potencial de geração de renda para os agricultores", conclui.
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Jornalista especializado em Tecnologia

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