Abiec alerta sobre esgotamento da cota de carne bovina para a China
Setor busca alternativas para lidar com a queda nas exportações

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) indicou que, caso o ritmo atual se mantenha, a cota de exportação de carne bovina do Brasil para a China deve se esgotar entre o final de maio e meados de junho. A declaração foi feita pelo presidente da Abiec, Roberto Perosa, durante uma coletiva de imprensa na última terça-feira.
Desafios e estratégias do setor
Com o esgotamento da cota, o setor está em busca de formas de mitigar a perda de vendas ao mercado chinês. Uma das estratégias vislumbradas é aumentar o consumo interno no segundo semestre deste ano. No entanto, Perosa destacou que o crescimento das apostas online no Brasil tem reduzido as despesas das famílias, especialmente as de menor renda, limitando o avanço esperado no consumo de carne.
✨ Estudo da Nielsen revela que o consumo de alimentos entre famílias de baixa renda caiu 10% devido ao aumento financeiro com apostas.
Na busca por soluções, representantes do setor de carnes se reuniram com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, para discutir a situação e solicitar ao governo ações que restrinjam as apostas online, como o combate a plataformas ilegais e a redução da publicidade nas redes sociais.
A Abiec estima que, caso não sejam encontrados novos mercados, as exportações de carne bovina podem ter uma redução de 10% em 2026. Esse cenário deverá impactar o mercado de boi gordo, pressionando os preços e diminuindo o ritmo de abates nos próximos meses.
Novos horizontes e acordos comerciais
Além de focar no mercado interno, os Estados Unidos aparecem como uma alternativa para aumentar as exportações. Contudo, a cota brasileira para os EUA já está esgotada, fazendo com que os embarques ocorram fora dos limites estabelecidos, o que compromete a competitividade. Para replicar esse aumento, é necessário ampliar a cota de exportação para os EUA.
A busca por novos mercados também é considerada crucial, com países como Coreia do Sul, Japão e Turquia sendo vistos como destinos promissores para compensar a demanda chinesa. O Japão, em particular, está em estagio avançado de negociações, tendo recebido uma missão técnica no Sul do Brasil em abril para avaliar as condições sanitárias necessárias para uma futura abertura do mercado.
Os efeitos do conflito no Oriente Médio
Roberto Perosa comentou ainda sobre o impacto do recente acordo entre Mercosul e União Europeia, que começou a valer na última sexta-feira. Ele acredita que o impacto imediato será restrito até que uma divisão clara das cotas entre os países seja definida. Por outro lado, a atual conflagração no Oriente Médio, que já reduziu as exportações em 20% em março e 10% em abril, traz novos desafios logísticos e de custo ao setor.
Entretanto, a expectativa é de que as condições do comércio na região se normalizem com o tempo, permitindo uma recuperação gradual das exportações.
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