Chuvas acima da média afetam moagem e qualidade da cana-de-açúcar.

Os preços do açúcar cristal e dos etanóis continuam a subir no mercado paulista neste fim de outubro, em um contexto de chuvas acima da média que dificultam a moagem da cana-de-açúcar e impactam a disponibilidade e a qualidade da matéria-prima.
Segundo análises do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a oferta mais restrita e a demanda aquecida sustentam as cotações dos biocombustíveis, enquanto o açúcar registra a 14ª alta semanal consecutiva.
Os pesquisadores do Cepea destacam que o excesso de chuvas tem atrapalhado o avanço da moagem da safra 2026/27 no Centro-Sul, levando a expectativas de atrasos no calendário da colheita e a um volume considerável de cana que deverá ser deixado para o próximo ano.
✨ Na parcial de outubro, as vendas de etanol hidratado pelas usinas já superam o volume do mês anterior, projetando cerca de 350 milhões de litros, o maior resultado do ciclo 2026/27.
No mercado de etanol, a oferta reduzida combina-se com uma demanda crescente. Distribuidoras estão adquirindo volumes adicionais para atender à demanda, favorecida pela paridade de preços entre a gasolina e o etanol, além das preocupações com a disponibilidade do produto nos próximos meses.
Com relação ao etanol anidro, as condições climáticas também geram preocupações sobre o cumprimento dos volumes previstos em contrato, já que as chuvas excessivas prejudicam o acúmulo de açúcar na cana e reduzem o teor de Açúcar Total Recuperável (ATR).
No segmento do açúcar cristal, os preços continuam em alta, embora a valorização tenha desacelerado na última semana. A atual sequência de alta chegou à 14ª elevação semanal consecutiva, a mais longa desde 2020. Além dos impactos das chuvas na moagem e na qualidade da cana, o direcionamento da matéria-prima para a produção de etanol ao longo da safra também limita a fabricação de açúcar, contribuindo para a sustentabilidade dos preços.
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