Transformação no setor agrícola prioriza qualidade e nutrição.

O Brasil, ao longo de muitas décadas, consolidou sua posição como uma das principais potências agrícolas do mundo, medindo seu sucesso por indicadores como produtividade, área plantada e exportações. No entanto, uma mudança significativa parece estar em curso, com um novo foco sobre não apenas a quantidade de alimentos, mas sobre o que os consumidores desejam realmente consumir.
A crescente atenção à qualidade de vida, longevidade e alimentação saudável indica que a demanda por proteínas está aumentando em vários mercados. O uso de medicamentos como Mounjaro e Ozempic está alterando a relação que muitos têm com a comida, levando a escolhas mais conscientes sobre o que ingerem.
✨ Feijões, lentilhas, ervilhas e grão-de-bico estão ganhando destaque devido às suas características nutritivas e sua adequação ao consumidor moderno que busca saúde e sustentabilidade.
O Brasil possui uma vantagem considerável nesse cenário, com produção contínua ao longo do ano e tecnologia avançada para agricultura tropical. No entanto, um desafio crucial é convencer os brasileiros sobre o valor dos alimentos que produzimos.
Muitos jovens parecem mais familiarizados com alimentos ultraprocessados do que com a riqueza nutricional de uma refeição tradicional, como o feijão. É imperativo que passemos a valorizar nossos produtos mais saudáveis e explicar os benefícios das proteínas vegetais.
Acredito que o futuro do agronegócio brasileiro reside no conceito de Agroalimento, que representa uma evolução na forma como encaramos a produção agrícola, integrando ciência, nutrição e inovação. Isso implica entender que o valor real vai além da quantidade, englobando saúde e qualidade de vida.
O Brasil já provou sua capacidade de alimentar o mundo; agora é hora de mostrar que também sabe como alimentar melhor o seu povo, começando pela cozinha de cada brasileiro.
"Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe).
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Jornalista especializado em Agronegócio

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