Diretor da Viterra-Bunge destaca desafios logísticos diante de previsão inédita.

O Brasil pode ter que importar um total de 10 milhões de toneladas de trigo na safra 2026/27, um volume que levanta questões sobre a capacidade logística do país, segundo o diretor de suprimentos da Viterra-Bunge, Maurício Ghiraldelli.
Ghiraldelli destacou que se as perdas nas lavouras, causadas pelos fenômenos climáticos como o El Niño, confirmarem-se em estados como São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, a Argentina estaria posicionada para atender essa demanda. Contudo, a grande questão é como transportar esse volume significativo de trigo até os moinhos.
✨ "Muito provavelmente a gente vai ver o Brasil necessitando de 10 milhões de toneladas que a Argentina poderia suprir, se tiver qualidade. Como que a gente descarrega 10 milhões de toneladas?"
É nesta situação desafiadora que o Brasil poderá se tornar o terceiro maior importador mundial de trigo, ficando atrás apenas da Indonésia e do Egito. As estimativas da Safras e Mercado apontam uma baixa de 31,7% na produção nacional, resultando em apenas 5,545 milhões de toneladas, uma queda significativa em relação à safra anterior.
É importante destacar que a distribuição dos volumes internos apresenta desafios adicionais, desde as distâncias em relação aos portos até as restrições comerciais que incidem sobre as origens específicas do trigo. O analista Élcio Bento também enfatizou a dificuldade em prever a origem de tanto trigo, dado o cenário sem precedentes.
Além disso, a falta de sementes e insumos para a próxima safra pode agravar ainda mais a situação do setor, prolongando os efeitos negativos da crise das lavouras.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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