Expectativa é de dobrar a produção de cacau até 2030, mantendo foco em práticas responsáveis.

No Brasil, o consumo médio de chocolate é de quase 4 quilos por ano por pessoa, refletindo a força do país que possui toda a cadeia produtiva, desde a amêndoa de cacau até o produto final. Em 2025, o país produziu 814 mil toneladas de chocolate e prevê crescimento em 2026.
Apesar de muitos não perceberem, o chocolate é um produto agrícola que está diretamente relacionado à conservação das florestas, uma vez que o cacau é cultivado de várias maneiras que dialogam com a preservação ambiental. O cacau brasileiro, que deve atingir 322 mil toneladas em 2026, está em franca expansão com uma previsão de crescimento de 9,2% em relação ao ano anterior.
✨ O Plano Inova Cacau 2030 propõe atingir 400 mil toneladas até o fim da década, eliminando a dependência de importações e posicionando o país como exportador.
O Brasil adota diferentes sistemas de cultivo, incluindo os tradicionais cabruca, que favorecem a biodiversidade ao serem cultivados sob a sombra de árvores nativas. A adoção de boas práticas agrícolas é essencial em cada modelo, visando minimizar impactos ambientais e proteger os recursos naturais.
Um exemplo positivo ocorre no Pará, onde sistemas agroflorestais com cacau possibilitaram a recuperação de 229 mil hectares de áreas degradadas. Esse avanço mostra a viabilidade de conciliar produtividade e conservação, desde que as práticas adequadas sejam implementadas.
Oatual cenário do mercado internacional de cacau, impactado por oscilações de preços devido a diversos fatores, reforça a necessidade de uma produção que minimize riscos e mantenha a responsabilidade socioambiental. Expandir a cacauicultura sem critérios claros poderia levar a problemas já enfrentados em outras regiões do mundo.
As novas regulamentações internacionais, como o Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento que começa em 30 de dezembro de 2026, exigem rastreabilidade e garantias na presença de práticas sustentáveis.
A certificação socioambiental é crucial nesse contexto, assegurando que os compromissos das empresas sejam cumpridos. Ela estabelece diretrizes que abordam questões ambientais e sociais, como desmatamento e trabalho infantil, propondo soluções efetivas para os problemas identificados.
Com as mudanças climáticas afetando a produtividade, práticas agrícolas sustentáveis que promovem a proteção do solo e da água se tornam fundamentais. Estudos indicam que sistemas agroflorestais, como a cabruca, são mais resilientes às alterações climáticas do que cultivos intensivos.
Portanto, a perspectiva da cacauicultura brasileira deve ser de harmonizar produtividade com conservação, adotando medidas que garantam a competitividade e a sustentabilidade do setor no futuro.
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