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Agronegócio
3 min de leitura

Cafeeiros do Espírito Santo enfrentam queda na produção de conilon

Safra menor que a esperada impacta mercado e preços do café.

Fernanda Lima19 de junho de 2026 às 13:05
Cafeeiros do Espírito Santo enfrentam queda na produção de conilon

O cafeicultor Eduardo Bortolini, localizado em Linhares (ES), está avaliando cuidadosamente o mercado enquanto a colheita avança na Fazenda Chapadão. Atualmente, ele está cumprindo os contratos já firmados, mas espera preços mais vantajosos para o excedente da produção.

Com 310 hectares dedicados ao cultivo de café conilon, a fazenda abriga mais de 1,2 milhão de árvores e possui diversas certificações que facilitam a entrada em mercados distintos. Bortolini já concluiu 40% da colheita e relatou uma surpresa negativa: a expectativa era de uma safra inferior à do ano passado, porém a queda observada é superior ao que ele imaginava.

A queda na produção chegou a 30% em algumas áreas mais antigas, embora o produtor confie na boa produtividade de plantas mais jovens para compensar.

O Espírito Santo, principal estado produtor de café conilon do Brasil, está passando por um período de reflexo nas estatísticas. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a produção do estado será de 13,56 milhões de sacas de 60 kg, o que representa uma queda de 4,2% em relação a 2025.

Impacto da Safra e Tendências de Preços

A Conab salientou que o bom desempenho da safra anterior de conilon limitou o potencial de produção atual. Mesmo assim, a produtividade projetada para esta safra é a segunda mais alta da história. A estimativa nacional para a produção de conilon é de 20,92 milhões de sacas, refletindo um leve aumento de 0,8%.

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Os preços do conilon estão estáveis no mercado nacional, com uma valorização de 6,9% até o dia 18 de junho, quando a saca alcançou R$ 1.018,24.

No mercado internacional, os preços de setembro na bolsa de Londres subiram para US$ 3.629 por tonelada. Rafael Bortolini, filho de Eduardo, relata que, ao contrário do conilon, a produção de arábica deve ser elevada, influenciando os preços ao longo da safra.

Estratégias e Expectativas

A Fazenda Chapadão opta por escalonar suas vendas para garantir preços médios que assegurem a rentabilidade em momentos de menores margens. Eduardo Bortolini explica: "O intuito é estabilizar os preços e ter um caixa saudável para não sofrer com quedas bruscas."

A situação atual do mercado de café tem mostrado uma tendência de acomodação, enquanto a Conab prevê uma safra total combinada de conilon e arábica em 66,7 milhões de sacas, um crescimento de 18%.

Por outro lado, a consultoria Itaú BBA observa que, apesar de algumas preocupações em relação ao tamanho dos grãos devido a condições climáticas adversas, é prematuro reduzir as estimativas de produção. A colheita continua, mas com progresso abaixo do ano anterior, sendo que apenas 39% da produção nacional estava colhida até 17 de julho, comparado a 43% em 2025.

Eduardo conclui sua avaliação dizendo: "Ainda estamos em um momento de espera para entender como o mercado responderá a toda essa quebra na safra. Acredito que os preços do café podem trazer alguma melhora no futuro."

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