Setor cafeeiro brasileiro se prepara para novas exigências do mercado europeu.

O setor cafeeiro brasileiro está em conversa ativa em Bruxelas, buscando articular uma estratégia para maximizar as oportunidades presentadas pelo acordo entre a União Europeia e o Mercosul, enquanto enfrenta novas exigências ambientais e sociais do mercado europeu.
Nesta agenda, o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), a ApexBrasil e diversas associações do setor estão unindo forças. Segundo Marcos Matos, diretor-geral do Cecafé, o objetivo é identificar formas de transformar as reduções tarifárias destacadas no acordo em oportunidades comerciais, almejando aumentar a presença do café brasileiro no bloco europeu.
✨ O planejamento inclui treinamentos sobre comunicação e prática de controle ambiental para melhor apresentar ações do Brasil frente às novas regulamentações.
Em meio a um contexto de complexidade regulatória crescente, com exigências rigorosas relacionadas ao desmatamento, trabalho forçado e limites de resíduos químicos nos produtos agrícolas, Matos ressaltou que se trata de um planejamento estratégico para posicionar o agronegócio brasileiro na Europa. Os representantes do setor estão se preparando para debates e entrevistas com o público europeu.
Entre as práticas a serem destacadas estão os dados públicos, Cadastro Ambiental Rural (CAR), Código Florestal e iniciativas voltadas ao trabalho decente, visando mostrar ao mercado europeu o comprometimento do Brasil com essas questões.
Uma das principais preocupações é o Regulamento Europeu Antidesmatamento (EUDR), cujas obrigações devem entrar em vigor em 30 de dezembro de 2026. A norma exige que produtos não estejam associados ao desmatamento ocorrido após 31 de dezembro de 2020.
Além disso, o Cecafé também esteve em discussões sobre a inclusão do café solúvel nas regulamentações e sobre a necessidade de fortalecer as bases de dados brasileiras que comprovem a origem e as práticas de cultivo do café.
A integração de dados e a cooperação entre empresas são fundamentais para garantir a rastreabilidade, uma vez que o Brasil exporta cerca de 71 mil contêineres de café anualmente ao mercado europeu, exigindo um controle eficaz para a verificação de dezenas de produtores.
Por fim, apesar dos desafios impostos pelas novas regulamentações, Matos acredita que existe uma oportunidade para valorizar as práticas brasileiras e agregar valor ao café, destacando que, em 2024, compradores europeus anteciparam aquisições baseadas nas práticas ambientais adotadas no Brasil.
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