Chuvas comprometem produção de café e alteram mercado em 2026
A colheita da safra de café enfrenta desafios devido à intensidade das chuvas.

As chuvas intensas registradas especialmente em junho criaram sérios desafios para a colheita da safra de café brasileira de 2026/27, influenciando diretamente o mercado, conforme revela análise da Consultoria Agro Itaú BBA.
Embora a colheita tenha iniciado em maio, o excesso de chuvas desacelerou o trabalho no campo, causando atrasos nas etapas de secagem e beneficiamento dos grãos, o que, por sua vez, impediu a rápida disponibilidade do novo café no mercado.
Regiões produtivas como Sul de Minas Gerais, Cerrado Mineiro e Mogiana sofreram com a queda de frutos, aumentando as preocupações com a qualidade do café arábica.
✨ A previsão inicial otimista da safra foi revista, levantando incertezas quanto à qualidade e rapidez da oferta.
Com estoques ainda reduzidos e produtores adotando uma postura cautelosa em suas vendas, o cenário elevou o preço do café nas bolsas internacionais.
Expectativas do Mercado
O aumento das cotações é sustentado por incertezas sobre a safra atual e a perspectiva de um El Niño mais forte, criando riscos climáticos.
No dia 6 de julho, o contrato de café arábica em Nova York viu um aumento de 16%, atingindo 350 cents por libra-peso, impulsionado por movimentos técnicos e financeiras dos investidores.
Enquanto isso, o café robusta também viu elevações, com preços em Londres subindo 4%, indo a US$ 4.064 por tonelada.
Embora os preços tenham recuado após esse pico inicial, continuam elevados devido ao dólar mais fraco e preocupações com a qualidade do café.
Cenário Doméstico e Internacional
No que diz respeito ao mercado físico brasileiro, o café arábica teve um aumento de preço inferior ao observado nas bolsas internacionais, avançando 11% e atingindo R$ 1.701 por saca até 22 de julho.
Enquanto o café conilon registrou valorização de 15%, os preços no Brasil refletem um diferencial significativo com média de -79 cents por libra-peso em julho.
Ainda segundo a Consultoria Agro Itaú BBA, a colheita segue em um ritmo mais lento em comparação ao ano anterior, retardando a comercialização do café novo.
Além disso, as recentes valorizações nos preços criaram novas oportunidades para os agricultores, com margens positivas para a próxima safra.
Conforme indicado em relatórios do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), as estimativas globais para a safra de café 2026/27 projetam um aumento significativo na oferta, com a produção total em 190 milhões de sacas, superando o crescimento da demanda.
O Brasil, com uma previsão de produção de 71,9 milhões de sacas, deverá liderar essa recuperação graças a melhores condições climáticas e expansão de área cultivada, além de permitir um aumento nas exportações.
No cenário doméstico, o consumo deverá permanecer estável em 22,4 milhões de sacas, enquanto as exportações de café verde devem crescer substancialmente para 49,4 milhões de sacas.
Esse aumento nas exportações deve permitir ao Brasil reforçar sua posição como o principal fornecedor mundial de café, mesmo diante das incertezas climáticas.
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