Previsões indicam que 10 milhões de toneladas de trigo podem ser afetadas pelo prolongamento da guerra.

A continuidade da guerra entre Rússia e Ucrânia pode retirar cerca de 10 milhões de toneladas de trigo do fluxo global no quarto trimestre. Essa situação amplia a disputa pelo cereal argentino e aumenta as incertezas para o abastecimento no Brasil, segundo Tito Marquetti Martinho, diretor de originação e trading de trigo da Bunge Alimentos.
Durante sua participação no 33º Congresso Internacional da Indústria do Trigo, realizado no Rio de Janeiro, Martinho enfatizou os riscos relacionados às restrições de exportação no Mar Negro e a crescente necessidade de o Brasil aumentar suas importações de trigo. Ele destacou que, apesar do atual equilíbrio no mercado internacional, essa situação pode mudar, especialmente se o conflito se prolongar.
✨ As exportações de Rússia e Ucrânia sofreram uma redução de cerca de 50%, resultando em grandes volumes de trigo represados na região, mesmo com altos estoques disponíveis.
Além disso, a continuidade do conflito impõe pressão sobre a Argentina e a Europa, que possuem origens altamente competitivas no mercado internacional. Atualmente, o trigo argentino é o mais competitivo, seguido pelo francês, o que é especialmente relevante para o Brasil, que está enfrentando uma safra menor e com problemas de qualidade, necessitando mais do mercado externo.
Cerca de 80% das importações brasileiras de trigo devem ter origem argentina, que deve colher cerca de 23,5 milhões de toneladas nesta temporada. Embora o volume esteja abaixo do recorde do ano passado, a produção continua robusta, mas a qualidade do cereal dependerá das condições climáticas nos próximos meses.
Além da disponibilidade do trigo, as capacidades logísticas adequadas no Brasil são uma preocupação. Martinho ressaltou que o desafio é encontrar a quantidade de trigo necessária e garantir que os volumes sejam recebidos adequadamente, especialmente em uma região Sul que não está acostumada a lidar com grandes importações neste nível.
Os portos brasileiros, que também precisam escoar soja e milho, enfrentam desafios adicionais para movimentar o trigo importado, criando incertezas sobre quanto será importado e a velocidade com que o produto chegará ao mercado.
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