Enquanto bancos públicos e privados enfrentam queda, cooperativas aumentam desembolsos.

No início da safra 2026/27, as cooperativas de crédito se destacam ao manter um forte ritmo de desembolso, liberando R$ 18,5 bilhões. Este desempenho contrasta com a postura mais cautelosa de bancos que enfrentam aumento nas restrições de crédito devido ao alto endividamento rural.
As instituições cooperativas têm se tornado líderes no mercado das linhas tradicionais do Plano Safra, enquanto os bancos públicos apresentaram uma queda de 50%, reduzindo seus desembolsos de R$ 32,7 bilhões para R$ 16,1 bilhões. Adicionalmente, os empréstimos de bancos privados também caíram 24%, passando de R$ 16,5 bilhões para R$ 12,4 bilhões.
✨ No total, o crédito acessado por produtores rurais somou R$ 49,2 bilhões no bimestre inicial do plano, queda de 31% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
O Ministério da Agricultura revelou que as emissões de Cédulas de Produto Rural (CPRs) alcançaram R$ 32,4 bilhões, um leve recuo em relação aos R$ 34,4 bilhões do ano passado, resultando em um total geral de R$ 81,6 bilhões em operações de crédito, 22,8% abaixo dos R$ 105,8 bilhões da safra anterior.
A concessão de crédito pelas linhas tradicionais caiu especialmente entre grandes e médios produtores, enquanto na agricultura familiar o recuo foi menos acentuado. Essa situação é influenciada pela demora na implementação da renegociação de dívidas e a restrição dos bancos.
Os dirigentes das cooperativas atribuíram seu bom desempenho a uma relação mais próxima com os cooperados, permitindo uma análise de crédito mais adaptada às realidades locais e necessidades específicas de cada produtor.
Os dados apresentados até agora refletem a cautela do mercado, mas alguns líderes do setor acreditam que os números podem mudar conforme o calendário avança e mais operações sejam finalizadas.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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