Custo elevado e baixa demanda são principais entraves à adoção dessa alternativa sustentável.

A produção de biofertilizantes à base de lodo no Brasil enfrenta uma série de desafios que dificultam sua adoção generalizada. Entre os problemas identificados pelo setor estão a produção em pequena escala, o elevado custo do produto final e uma demanda ainda tímida.
Lívia Baldo, especialista em gestão de resíduos e diretora da Tera Ambiental, ressalta que o rendimento é um dos principais obstáculos, uma vez que a produção do biofertilizante requer uma grande quantidade de resíduos orgânicos. Para a fabricação do fertilizante orgânico Tera Base, sua empresa processa uma tonelada de resíduos, resultando em apenas 400 quilos do produto final.
✨ Anualmente, a Tera Ambiental produz 36 mil toneladas de fertilizante orgânico Classe B, que é peneirado e contém 70% de sólidos.
Eduardo Rotta Lovato, diretor de operações da Quattro T, indica que o custo do biofertilizante impede sua competitividade em relação aos fertilizantes convencionais. Embora atraia consumidores preocupados com a qualidade do solo e o impacto ambiental, seu preço permanece elevado. Lovato observa que, para que o biofertilizante se torne viável, será necessário aumentar a escala de produção, algo que é desafiador em uma única planta.
Outro fator crítico é a logística, uma vez que as operações são focadas em regiões específicas do Brasil. A alta burocracia e os custos associados ao transporte por longas distâncias também complicam a distribuição. Além disso, há uma falta de clareza na regulamentação; o Ministério da Agricultura não possui uma classificação específica para biofertilizantes à base de lodo, que são tratados de forma genérica como fertilizantes orgânicos.
A produção de fertilizantes a partir do lodo é um processo complexo e prolongado, envolvendo etapas de estabilização e higienização para eliminar agentes patogênicos. Após essas etapas, o material é denominado biossólido, podendo então ser formulado como fertilizante orgânico ou biofertilizante, conforme regulamentação do Conama de 2020.
Apesar das dificuldades, já existem iniciativas bem-sucedidas em algumas capitais, como no Rio de Janeiro, onde o lodo das estações de tratamento de efluentes é tratado pela Organosolo, transformando-o em composto orgânico para diversas aplicações, incluindo agricultura e reflorestamento. Cuiabá também iniciou esse tipo de operação desde 2022.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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