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Agronegócio
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El Niño representa risco para a produção de café no Brasil

Fenômeno climático pode afetar chuvas e calor na colheita

Gabriel Rodrigues04 de agosto de 2026 às 16:10
El Niño representa risco para a produção de café no Brasil

O fenômeno El Niño deste ano pode causar impactos significativos na produção de café no Brasil, conforme alertou Carolina Giraldo, analista de inteligência de mercado da consultoria StoneX. O principal risco envolve alterações na distribuição das chuvas e o surgimento de ondas de calor em períodos críticos para o cultivo, como durante o enchimento dos grãos.

Giraldo destacou em um evento realizado durante a São Paulo Climate Week que, embora a quantidade mensal de chuvas possa não se alterar drasticamente, a concentração delas em um curto espaço de tempo pode comprometer o potencial produtivo do café. "Quando o El Niño se intensifica, tanto o calor excessivo quanto a falta de regularidade nas chuvas prejudicam a florada do café arábica e suas fases subsequentes", explicou.

Os modelos climáticos sugerem que há uma probabilidade de 97% de que o fenômeno dure até 2027, com seu pico esperado entre outubro e dezembro. Os riscos mais altos para a cultura do café no sul de Minas Gerais, uma das principais regiões produtoras, se concentram de setembro a novembro.

Historicamente, os eventos de El Niño têm levado a leve redução na oferta global de café, como observado no último episódio, que ocorreu entre 2023 e 2024, e foi marcado por recordes de temperatura global.

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Se a falta de água prejudicar o enchimento dos grãos, a produtividade pode ser ineficiente

Carolina Giraldo, StoneX

Embora o El Niño esteja atualmente em uma fase moderada, indicações mostram que as temperaturas no Oceano Pacífico continuam a subir, o que pode afetar ainda mais a produção de café em momentos críticos. Giraldo enfatizou a importância de monitorar as previsões meteorológicas de curto, médio e longo prazo para avaliar os riscos.

No que se refere ao café conilon, a analista mencionou que os produtores do Espírito Santo têm intensificado os investimentos em irrigação desde a crise hídrica entre 2014 e 2016, quando a produção foi severamente afetada. Atualmente, a área irrigada no Estado cresceu de duas a três vezes, embora isso exija consideráveis recursos hídricos e financeiros.

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