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Agronegócio
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Ferrugem da folha do trigo ameaça produtividade no Sul do Brasil

Diagnóstico precoce é essencial para controle eficiente da doença

Gabriel Rodrigues20 de julho de 2026 às 17:10
Ferrugem da folha do trigo ameaça produtividade no Sul do Brasil

A ferrugem da folha do trigo constitui uma séria preocupação para os produtores durante a safra de inverno, podendo resultar em perdas significativas de produtividade se não for detectada nos estágios iniciais. Reconhecer a doença precocemente, mesmo quando sua severidade é baixa, é crucial para adotar medidas de controle mais eficazes, assim como para um uso mais inteligente de fungicidas e práticas de manejo integrado.

Monitoramento e Sintomas

Entre junho e outubro, período crítico para as principais regiões produtoras de trigo no Sul do Brasil, as condições climáticas frequentemente favorecem o surgimento da ferrugem, especialmente em cultivares suscetíveis e áreas com maior densidade de plantio. Isso torna o monitoramento fitossanitário sistemático uma exigência desde os primeiros estágios de desenvolvimento da cultura.

Os primeiros sinais da ferrugem aparecem como pequenas pústulas de coloração ferrugem a marrom-alaranjada, com aspecto saliente e texturizado como 'pó de ferrugem'.

Essas pústulas, geralmente limitadas a folhas medianas e superiores de plantas isoladas ou em grupos pequenos, precisam ser monitoradas de perto. Ao contrário de outras doenças foliares, as pústulas da ferrugem possuem contornos bem definidos e produzem esporos que podem manchar a pele ao toque.

A vigilância contínua é necessária, pois a ferrugem é uma doença policíclica, capaz de controlar vários ciclos de infecção durante a mesma safra. Infecções iniciais podem se espalhar rapidamente em condições climáticas favoráveis, resultando em prejuízos consideráveis na qualidade e na produtividade dos grãos.

Erros Comuns no Monitoramento

Um dos principais equívocos é iniciar o monitoramento apenas quando a folha bandeira já demonstra sinais visíveis de infecção, ou confundir a ferrugem com outras manchas foliares. Além disso, algumas decisões são tomadas com base apenas em calendário, ignorando o histórico de pressão na área e a suscetibilidade da cultivar.

Ciclo da Doença

O fungo causador da ferrugem sobrevive entre as safras em plantas voluntárias e outros hospedeiros. Os esporos são facilmente dispersos pelo vento e germinam em condições de umidade e temperatura favoráveis, resultando em novas infecções logo em seguida.

Para um diagnóstico precoce, a observação rigorosa dos sintomas é fundamental, especialmente no início do alongamento das plantas. O acompanhamento deve ser intensificado desde o emborrachamento até o enchimento dos grãos, adaptando a frequência das avaliações às condições climáticas e à suscetibilidade das cultivares.

O monitoramento deve ser realizado em um padrão em zigue-zague, observando um número fixo de plantas consecutivas em áreas chave como bordaduras e locais com histórico de infecção. Esta abordagem ajuda na identificação da incidência e severidade da doença, uma informação valiosa para o planejamento de intervenções.

Reconhecer rapidamente os sinais da ferrugem e manter um monitoramento frequente podem preservar o potencial produtivo da lavoura de trigo.

O impacto da ferrugem está ligado à suscetibilidade da cultivar e às condições climáticas durante os estágios críticos da produção. Portanto, a identificação precoce não implica em automação de aplicações de fungicidas, mas sim em um planejamento cuidadoso sobre quando e como intervir.

A integração do monitoramento com práticas de manejo, como uso de cultivares resistentes e controle de plantas voluntárias, é indispensável para um programa eficiente de fitossanidade. Qualquer decisão relacionada a defensivos agrícolas deve ser baseada em orientação técnica e dentro das normas ambientais, visando sempre a saúde do agricultor e do meio ambiente.

O foco deve ser a proteção das folhas mais significativas para a produção de grãos, garantindo assim uma colheita saudável e economicamente sustentável. O conteúdo aqui apresentado é meramente informativo e deve ser complementado com a avaliação prática de um engenheiro agrônomo.

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