Gestão profissional é crucial para a sobrevivência financeira no setor

Nesta semana, o programa Giro do Boi contou com a presença de Guilherme Malafaia, que é coordenador do Centro de Inteligência da Carne Bovina (CiCarne) e pesquisador da Embrapa Gado de Corte. Durante a entrevista, ele abordou os principais desafios que a pecuária enfrentará em 2026.
Malafaia destacou que, embora os preços da arroba se apresentem favoráveis, o próximo ano pode trazer uma 'tempestade perfeita', salientando a necessidade de uma transição do empirismo para uma gestão mais profissional entre os produtores. Segundo ele, a vitória na pecuária moderna depende de uma estratégia que inclui desde a geopolítica dos fertilizantes até um controle rigoroso das margens de lucro.
✨ “Produzir bem é apenas o primeiro passo; a sobrevivência financeira exige gestão de custo de capital e de risco.” — Guilherme Malafaia
A Embrapa também ressaltou a importância de se manter vigilante em relação aos fatores externos que podem afetar a produção. Conflitos geopolíticos, como aqueles na Rússia e no Oriente Médio, aumentam as incertezas quanto ao fornecimento de fertilizantes, especialmente os nitrogenados. Para superar essas dificuldades, recomenda-se a eficiência no uso de tecnologias e a adoção de práticas como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF).
Com a cota de exportação para a China já encerrando em 1,1 milhão de toneladas em maio, o Brasil deverá redirecionar seus esforços para mercados mais exigentes, como Japão e Coreia do Sul, onde a rastreabilidade é obrigatória. A intensificação da produção por meio de Terminação Intensiva a Pasto (TIP) ou confinamento deve contemplar uma abordagem resiliente.
Outro ponto mencionado por Malafaia foi a estratégia de abate de animais mais jovens, entre 18 a 24 meses, para minimizar os riscos climáticos, incluindo o El Niño, e para otimizar o giro de capital. Ademais, investir nos 100 milhões de hectares degradados no Brasil é uma oportunidade identificada para incrementar a produção.
Programas como a Carne Carbono Neutro (CCN) apresentam oportunidades no setor de carne ao oferecer bônus em mercados que valorizam iniciativas voltadas à sustentabilidade.
Por fim, Malafaia enfatizou que em 2026, o diferencial não será o maior produtor, mas aquele que executar a melhor gestão. A integração de inteligência de dados e práticas sustentáveis será fundamental para a rentabilidade da pecuária no Brasil.
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