Desafios para produtores de cacau enfrentam novas exigências de rastreamento

A nova lei antidesmatamento da União Europeia, que começa a valer no final deste ano, poderá afetar as exportações de cacau da África Ocidental, elevando os custos para os fabricantes de chocolate.
Exigindo rastreamento das matérias-primas e comprovação de que elas não provêm de áreas desmatadas recentemente, a legislação se torna um desafio especialmente para países como Nigéria, Costa do Marfim e Gana. Estes países, que sustentam centenas de milhares de pequenos produtores em regiões rurais, enfrentam complicações significativas para cumprir as novas exigências.
✨ A África Ocidental é responsável por cerca de 70% da produção global de cacau, com dois terços dessa quantidade destinada à União Europeia.
Nicko Debenham, consultor de sustentabilidade e negociador global de cacau, observou que é extremamente provável que novos importadores da UE enfrentem dificuldades em adquirir cacau dentro das novas regras, que exigem rastreamento rigoroso e conformidade com origens de terceiros.
A empresa Sunbeth Global, da Nigéria, revelou que o cumprimento dessas exigências trouxe um aumento nos custos de operação, enquanto os compradores europeus relutam em absorver essas despesas adicionais. Nos últimos três anos, a companhia mapeou 124 mil hectares de cultivo no sul da Nigéria, representando 60 mil toneladas de cacau em sua cadeia de suprimentos, acumulando custos entre US$ 30 e US$ 70 por tonelada.
A lei da UE sobre Desmatamento foi adiada em duas ocasiões e visa combater os 10% do desmatamento global atribuídos ao consumo de produtos importados pela UE. Além do rastreamento, a regulamentação requer que os importadores comprovem que as mercadorias atendem às leis do país de origem.
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