Análise da Grão Direto revela reações do setor após relatório do USDA e avanço do plantio.

O mercado brasileiro de soja começou a terça-feira (13) sob pressão, com a queda nas cotações da Bolsa de Chicago e o dólar cotado abaixo de R$ 5,00. Esse movimento surgiu após a divulgação do relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), conhecido como WASDE, que indicou uma safra maior e estoques finais superiores às expectativas.
Apesar da sustentação dos prêmios de exportação, os preços físicos internos refletem um clima de cautela, com os produtores demonstrando resistência em aumentar as vendas. A Grainsights, serviço de inteligência de mercado da Grão Direto, apontou que Uberlândia (MG) registrou uma perda de mais de R$ 6,50 por saca na última semana. Na sexta-feira (9), a soja FOB foi cotada a R$ 144,17 por saca para novembro de 2026.
✨ Os produtores estão hesitantes em negociar estoques atuais, com foco nas operações da próxima safra, enquanto o plantio da safra 2026/27 avança acima da média histórica.
No mercado portuário, a situação se comportou de forma distinta. O monitoramento da Grainsights destacou que a soja FOB Santos foi negociada a R$ 161,60 por saca na sexta, refletindo um aumento em relação à semana anterior. A diferença de preços entre Santos e Rio Grande alcançou R$ 2,08 por saca, revelando condições diferentes em cada corredor de comercialização.
A comercialização, no entanto, mostrou sinais de retração, com a semana retrasada registrando o menor ritmo de negócios em cinco anos para este período. Os dados acompanhados indicaram que as vendas para entrega futura superaram ligeiramente as vendas de soja disponível, enquanto a resistência dos produtores em negociar estoques atuais permanece evidente.
As diferenças regionais foram notáveis, com o Rio Grande do Sul exibindo a maior atividade comercial, embora ainda classificada como morna. Santa Catarina registrou movimentação moderada, enquanto Mato Grosso apresentou quase paralisia nas transações. O avanço do plantio no Brasil acrescenta outro componente ao cenário, com a semeadura da safra 2026/27 mostrando ritmo acelerado.
Olhares atentos se voltam agora para o comportamento da Bolsa de Chicago e do câmbio, que influenciarão a formação dos preços. A continuidade da pressão relacionada à colheita norte-americana, aliada à permanência do dólar abaixo de R$ 5,00, delineia um panorama desafiador para a comercialização da soja no Brasil.
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