Análise aponta desafios para o futuro da commodity

O mercado internacional de açúcar é marcado por fatores contraditórios que dificultam uma valorização mais robusta da commodity. Marcelo Di Bonifacio Filho, analista da StoneX, destaca que os preços do açúcar superaram temporariamente a marca de US¢ 15 por libra-peso no começo da semana, mas acabaram perdendo força até o fim dela.
""O açúcar devolveu os ganhos até esta sexta-feira, refletindo uma divisão no mercado. Preocupações climáticas na Ásia e Europa, e a diminuição das posições vendidas dos fundos, contrastam com uma oferta que permanece confortável no curto prazo."
O especialista observa que a redução das posições vendidas dos fundos de investimento teve um impacto nas cotações nas semanas recentes, mas de forma menos significativa em comparação a períodos anteriores. Essa situação sugere que ainda existe uma percepção generalizada de excesso de oferta entre os investidores.
✨ Fatores como a queda dos preços do etanol hidratado também contribuem para um cenário de pressão no mercado de açúcar.
Outra questão crítica é a dificuldade que o contrato com vencimento em outubro de 2026 tem encontrado para se manter acima dos US¢ 15 por libra-peso. Essa resistência é um indicativo da forte pressão vendedora no mercado.
Di Bonifacio Filho também menciona que a desvalorização do etanol hidratado leva usinas da região Centro-Sul a fixar preços de açúcar em torno de R$ 1.800 por tonelada, aumentando a liquidez de venda. Além disso, o enfraquecimento dos prêmios de exportação no porto de Santos reduz as expectativas de demanda mais robusta pelo açúcar brasileiro.
As chuvas na Índia melhoraram recentemente, mas ainda existem incertezas quanto à próxima safra devido à possibilidade de um El Niño mais forte nos próximos meses.
No longo prazo, o clima continua sendo o foco central de atenção no setor. Apesar das chuvas favoráveis na Índia, a ameaça de um fenômeno El Niño poderá trazer riscos adicionais para a próxima safra, o que poderá gerar uma volatilidade elevada à medida que os participantes do mercado tentam equilibrar as pressões de venda das usinas brasileiras com a expectativa de uma oferta reduzida no futuro.
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