Negociações pontuais e preocupação com nova safra marcam o setor.

O comércio de trigo no Sul do Brasil continua a ser marcado por negociações esparsas e uma disparidade entre os preços. Tal cenário é impulsionado pela cautela predominante entre compradores e vendedores, especialmente diante das incertezas sobre a nova safra.
De acordo com informações da TF Agroeconômica, os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná apresentam realidades distintas, onde a atenção se volta para a qualidade do grão, o ritmo de moagem e a necessidade prevista de importações.
Em território gaúcho, dados do Cepea revelaram uma alta de 0,25% nos preços em relação à semana anterior. Como resultado, alguns moinhos decidiram aumentar seus estoques, garantindo a matéria-prima até o mês de novembro. Atualmente, o trigo comercializado em agosto, com pagamento previsto para setembro, alcançou uma média de R$ 1.300 por tonelada, enquanto melhoradores foram vendidos por até R$ 1.350.
✨ O trigo de boa qualidade atingiu referências de R$ 1.460 CIF.
Paralelamente, o trigo argentino nacionalizado foi cotado a US$ 292 por tonelada na cidade de Canoas, representando uma valorização semanal de 6,2%. Contudo, moinhos enfrentam problemas devido ao alto nível de DON no cereal disponível.
Em Panambi, o preço pago ao produtor caiu para R$ 69 por saca. Na nova safra, apenas 60 mil toneladas foram comercializadas até o momento, um número bem abaixo das vendas ocorridas no mesmo período do ano anterior. Em face das incertezas atreladas ao fenômeno El Niño, recomenda-se evitar vendas físicas antecipadas, sugerindo que aqueles que desejam fixar preços considerem operações em Bolsa.
Em Santa Catarina, o mercado de trigo permanece lento, com moinhos muito abastecidos, baixa moagem e uma pressão considerável sobre os preços da farinha. Os valores do trigo local para produção de pão estão entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada, enquanto o plantio ainda está em sua fase inicial.
No Paraná, notou-se um aumento médio de 0,80% nos preços, impulsionado pela demanda por farinhas e trigo de qualidade. Negócios no estado foram realizados a R$ 1.450 CIF na região de Curitiba. Entretanto, os vendedores ainda estão cautelosos acerca da nova safra. Para 2027, projeta-se uma necessidade de importação de aproximadamente 1,5 milhão de toneladas no estado.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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