Excesso de chuvas pode impactar o calendário das lavouras na temporada 2026/27.

A safra de verão que se aproxima deve trazer uma mudança significativa no mapa de riscos climáticos do Sul do Brasil. Diferentemente de anos anteriores, onde a escassez de chuvas era a preocupação principal, agora a atenção dos produtores será voltada para o excesso de água e seu impacto nas lavouras.
Conforme informações fornecidas por Gabriel Rodrigues, meteorologista da seção AGROTEMPO do Portal Agrolink, o boletim da NOAA referente a agosto de 2026 aponta que o fenômeno El Niño atingirá seu ápice entre outubro e dezembro, meses cruciais para a implantação e desenvolvimento das culturas de verão. A possibilidade de que o El Niño mantenha sua intensidade se aproxima de 95% para esse período.
✨ Os primeiros indícios do fenômeno já são evidentes, com julho apresentando um volume de chuvas 30% a 90% acima da média em várias localidades do Sul. A previsão é que o fenômeno continue até pelo menos março de 2027, afetando a safra de verão.
Para a agricultura, os riscos não se limitam a eventos de chuvas intensas, mas também ao acúmulo excessivo de umidade. A condição de solo encharcado pode resultar em menos dias para operação de máquinas e janelas reduzidas para semeadura, pulverização e colheita, compromettendo a eficiência das operações.
A cultura do trigo, em particular, requer atenção especial, uma vez que o pico de chuvas pode coincidir com o período de enchimento dos grãos e a colheita, aumentando os riscos de problemas como giberela e germinação na espiga, o que pode prejudicar a qualidade e o peso dos grãos.
A análise do AGROTEMPO recomenda que a safra 2026/27 seja monitorada climaticamente durante todo o ciclo, dada a previsão de um período chuvoso entre setembro e fevereiro no centro-sul do Brasil. Enquanto isso, áreas do Centro-Oeste, Norte e Nordeste podem apresentar condições mais secas do que o normal.
Embora as chuvas acima da média possam beneficiar algumas culturas, o excesso hídrico pode ocorrer em fases críticas das lavouras de inverno no Sul, como na maturação e colheita, o que aumenta a vulnerabilidade a doenças fúngicas e diminui a qualidade dos grãos, dificultando também o escoamento.
Dessa forma, a previsão sazonal tornou-se essencial para o planejamento agrícola, devendo ser integrada a radares, alertas e atualizações em tempo real. Em um cenário com menos dias disponíveis para atuar no campo, o acompanhamento do clima se torna um elemento crucial na gestão das propriedades.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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