Expectativas de demanda e cota chinesa afetam mercado

Na última semana, o mercado físico do boi gordo apresentou preços estáveis na maioria das regiões produtoras do Brasil. O analista Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, destaca que a projeção de aumento na demanda e a redução das escalas de abate foram fatores determinantes para a valorização da arroba em inúmeros estados.
Apesar do panorama otimista, Iglesias faz uma análise cuidadosa, sugerindo que ajustes podem ser esperados nas próximas semanas. Isso se deve ao fato de que frigoríficos estão procurando negociar compras a valores inferiores em algumas áreas, impulsionados pelo esgotamento precoce da cota de importação chinesa direcionada ao Brasil, que deve ser preenchida entre junho e julho.
✨ Esgotamento da cota chinesa pode diminuir abates na próxima temporada.
Essa situação pode resultar em uma queda nos abates e na diminuição das bonificações do denominado “boi China”, restringindo a possibilidade de elevações de preço mais significativas para a arroba nos próximos meses. Confira os preços do boi gordo à vista em diferentes regiões: São Paulo (SP): R$ 355,00; Goiás (GO): R$ 340,00; Uberaba (MG): R$ 330,00; Dourados (MS): R$ 355,00; Cuiabá (MT): R$ 360,00; e Vilhena (RO): R$ 345,00.
No segmento atacadista, o desempenho da carne bovina também se mostrou favorável. A reposição efetiva entre atacado e varejo na primeira quinzena de junho, junto à expectativa de maior consumo, sustentou os preços. Contudo, a carne bovina enfrenta forte concorrência com a carne de frango, que se mantém como a opção mais acessível para os consumidores.
O preço do quarto dianteiro foi registrado a R$ 21,70 por quilo, com uma alta semanal de 0,93%, enquanto os cortes traseiros mantiveram-se estáveis em R$ 27,00 por quilo.
Em relação ao mercado internacional, as exportações brasileiras estão apresentando um desempenho robusto. Nos primeiros quatro dias úteis de junho, o país já enviou 62,589 mil toneladas de carne bovina para o exterior, gerando uma receita superior a US$ 412,1 milhões.
Quando comparado a junho de 2025, houve um aumento de 56,9% na receita média diária, um crescimento de 29,8% no volume embarcado e uma valorização de 20,9% no preço médio da tonelada, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior.
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