Relatório do Itaú BBA aponta que a redução pode ocorrer após focos da doença de Newcastle.

A expectativa de redução nos preços do frango nos próximos meses é apontada pelo banco Itaú BBA, especialmente na Região Sul do Brasil, após a confirmação de um caso da doença de Newcastle em Nova Itaberaba, em Santa Catarina.
O relatório divulgado nesta sexta-feira (23) destaca que o efeito da queda de preços será mais visível no mercado atacadista. O cenário é na verdade uma continuação do movimento, já que tradicionalmente no primeiro trimestre do ano ocorre uma diminuição no consumo doméstico.
✨ Com a suspensão das exportações de frango de Santa Catarina, frigoríficos locais poderão ter que vender parte de sua produção no mercado interno.
Na prévia da inflação de outubro, também foi registrado um aumento de 0,71% no preço do frango em pedaços. No entanto, ao longo dos últimos 12 meses, os preços acumulam uma queda de 4% segundo o IBGE. A doença de Newcastle, que afeta aves, gerou restrições que impactam diretamente o fluxo de exportação, já que países como a China e a Arábia Saudita decidiram interromper as importações do frango produzido em Santa Catarina.
Santa Catarina é um estado com a maior proporção de frango destinado à exportação no Brasil, com cerca de 63% de sua produção voltada para o exterior. Consequentemente, a diminuição dos mercados externos disponíveis pode levar a um aumento na oferta local, forçando as empresas a baixar os preços.
O Itaú BBA também prevê que, além de uma possível queda nos preços, os frigoríficos enfrentem um aumento nos gastos relacionados a armazenagem e logística, bem como um acúmulo de estoques.
A produção já está em crescimento, com um aumento de 3,7% no número de aves abatidas de janeiro a setembro de 2026, e uma elevação de 6,2% na quantidade de carne produzida. No entanto, a maior parte dessa carne foi absorvida pelo mercado externo até agora.
Após a virada do ano, a competição entre a oferta alta e o consumo reduzido, típicos do período pós-festas, poderá pressionar ainda mais os preços. Embora os frigoríficos possam reduzir seus preços no atacado, essa redução pode não se refletir diretamente nos preços ao consumidor em supermercados, onde custos adicionais influenciam o preço final.
A duração das restrições de exportação será central para entender o impacto final nos preços. Casos anteriores mostraram que o efeito sobre os preços pode variar significativamente dependendo da extensão e da duração das proibições.
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