Especialista alerta para importância de ações baseadas em dados para geração de valor no agronegócio.

A rastreabilidade individual dos bovinos, com implementação prevista até o final do ano pelo governo federal, oferece soluções significativas, mas a verdadeira questão recai sobre o uso efetivo dos dados coletados. Esse sistema garante que a informação sobre cada animal esteja disponível, desde a propriedade até o abate.
Entretanto, a aplicação prática do dado é o que irá determinar se ele se tornará um diferencial competitivo para os produtores ou apenas uma estatística a mais em um sistema. A gestão eficiente desse processo é crucial, pois envolve a separação clara das etapas: coleta, cruzamento e decisão.
✨ Dados isolados de um animal não têm poder decisional; é o cruzamento com informações como histórico de saúde e procedência que gera conhecimento.
O Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB) pretende modernizar o sistema, capturando dados de forma mais precisa do que o modelo atual, que se baseia em lotes. No entanto, ainda que uma empresa possua uma base de dados eficiente, a transformação desse conhecimento em decisões concretas segue sendo um desafio.
Um exemplo prático é o acompanhamento de situações sanitárias. Um dado isolado pode indicar que um bovino tem uma alteração, mas cruzando essa informação com outros animais do mesmo lote e origem, é possível identificar padrões que ajudem na tomada de decisão, como isolamento prudente do lote afetado sem prejuízos para o restante do rebanho.
Além disso, a geolocalização sozinha não será suficiente para garantir origem livre de desmatamento, mas sim quando utilizada em um mapa de risco que considere o histórico da região e que possa facilitar decisões sobre a aprovação de fornecedores.
O prazo regulatório para a rastreabilidade é uma oportunidade para as empresas desenharem caminhos claros que transformem dados em decisões eficazes. Vicente Falconi, no livro "O Verdadeiro Poder", enfatiza a importância de não apenas coletar dados, mas de convertê-los em conhecimento que traga resultados.
Portanto, a rastreabilidade deve ser entendida como uma ferramenta eficaz, mas o verdadeiro impacto dependerá de aqueles que a utilizam como um ativo capaz de gerar valor real para as organizações.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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