Alvaro Lario, do Fida, alerta para riscos de segurança alimentar em várias regiões devido a alta de custos.

As restrições ao transporte marítimo no Estreito de Ormuz, próximo ao Irã, estão impactando a produção agrícola global, podendo resultar em uma redução da produtividade e um aumento dos preços dos alimentos. Essa avaliação é do presidente do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida), Alvaro Lario, em entrevista à Reuters.
Lario destaca que os custos elevados com combustíveis, transporte e fertilizantes estão encarecendo diversas etapas da produção agrícola. Segundo informações publicadas pela agência, os preços das commodities agrícolas já apresentaram um aumento de 13% no terceiro trimestre.
✨ A combinação de fatores, incluindo o fenômeno El Niño e as dificuldades no abastecimento de trigo pelo Mar Negro, ampliam a pressão sobre o setor agrícola, conforme mencionado por Lario.
Essa instabilidade está forçando mudanças nas decisões dos produtores. Embora a disponibilidade de estoques de combustíveis e fertilizantes tenha ajudado a mitigar os impactos iniciais, a falta de previsibilidade levou muitos agricultores a reduzir a aplicação de insumos e a ser mais cautelosos no momento de plantar.
Além disso, o aumento nos preços do diesel e de outros combustíveis também impacta as operações de colheita mecanizada. A situação é especialmente preocupante para países que dependem do mercado externo para abastecer seus setores agrícola e energético, como os da região do Sudeste Asiático no que se refere ao combustível e aqueles do Golfo no tocante aos alimentos.
A crise pode se agravar caso os Estados Unidos e o Irã não cheguem a um acordo nas próximas semanas sobre uma proposta apoiada pela ONU que visa facilitar o transporte de fertilizantes pelo Estreito de Ormuz. Sem esse entendimento, partes da Ásia e da África podem enfrentar uma situação crítica de segurança alimentar, conforme alertou um funcionário responsável pela iniciativa à Reuters.
Para os pequenos produtores, a incerteza pode provocar mudanças significativas no perfil das lavouras. Lario aponta que os agricultores podem optar por não investir em cultivos de maior valor, que demandam mais tempo para trazer retorno financeiro, priorizando assim aqueles que oferecem receitas mais rápidas.
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