Sobretaxa de 25% dos EUA ameaça agronegócio gaúcho com impacto de US$ 334 milhões
Rio Grande do Sul enfrenta riscos significativos nas exportações devido a proposta americana

A proposta de uma sobretaxa de 25% sobre importações dos Estados Unidos, fundamentada na Seção 301 do Trade Act de 1974, coloca o agronegócio brasileiro em uma situação delicada, especialmente no Rio Grande do Sul, com potenciais perdas que podem chegar a US$ 334 milhões.
A análise realizada pela Assessoria Econômica da Farsul, divulgada nesta terça-feira (2/6), revela que 43,7% das exportações brasileiras para os EUA, totalizando cerca de US$ 16,5 bilhões, estariam sob a mira da nova tarifa. O impacto é ainda mais severo no contexto gaúcho, onde 81,1% das vendas, equivalentes a US$ 1,34 bilhão, estariam expostas à sobretaxa.
✨ O setor agropecuário do Rio Grande do Sul tem 74,9% das suas exportações para os EUA potencialmente sujeitas à sobretaxa.
Setores mais afetados no Rio Grande do Sul
O estudo aponta os produtos mais vulneráveis no estado, incluindo o fumo não manufaturado tipo Virgínia, que gerou US$ 122 milhões em exportações e poderia sofrer uma sobretaxa de US$ 30 milhões. Outros segmentos em risco incluem madeira serrada de Pinus (US$ 81 milhões), calçados de couro (US$ 62 milhões) e fumo tipo Burley (US$ 49 milhões). Juntos, os dois tipos de fumo respondem por 31,4% do agronegócio gaúcho afetado pela proposta.
Em comparação, o Brasil como um todo teria 36,8% do seu agronegócio exposto, sendo os produtos mais afetados o sebo bovino (US$ 416 milhões), produtos florestais e o complexo sucroalcooleiro (US$ 401 milhões).
Desigualdade nas proteções
Essa vulnerabilidade é acentuada pela estrutura das exportações. Enquanto produtos como carne bovina, suco de laranja e café estão protegidos por listas de exclusão, o Rio Grande do Sul não exporta esses produtos em volumes significativos. Assim, enquanto o Brasil têm 56,3% de suas exportações fora do risco, o estado gaúcho tem apenas 18,9%.
O relatório da Farsul ressalta que os US$ 334 milhões de impacto tarifário não significam necessariamente perdas diretas, pois os efeitos podem variar desde a redução das margens de lucro dos exportadores até perdas no volume de vendas ou repasses de preço aos compradores brasileiros.
✨ As negociações sobre inclusões e exclusões nas tarifas serão vitais para reduzir os danos econômicos.
A investigação promovida pelos Estados Unidos também abrange questões além das tarifas, como práticas comerciais desleais relacionadas ao sistema de pagamentos instantâneos PIX e políticas de sustentabilidade. Para o Rio Grande do Sul, um estado que registrou US$ 1,65 bilhão em exportações para os EUA em 2025, o desfecho das negociações entre Brasil e Estados Unidos será crucial e urgente.
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