Tirso Meirelles alerta sobre comércio internacional e agronegócio
Preocupações com acordos e medidas protecionistas afetam o setor

Na quarta-feira, 10 de dezembro de 2026, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo, Tirso Meirelles, expressou sua preocupação com o comércio internacional e os desafios que o agronegócio brasileiro enfrenta. Durante o evento Rural Notícias, ele destacou os impactos de acordos comerciais e medidas protecionistas em um cenário global em constante mudança.
Meirelles criticou as recentes mudanças no acordo entre o Mercosul e a União Europeia, ressaltando que, após 25 anos de negociações, diversas ressalvas surgiram logo no começo do processo. “Produtos brasileiros poderão levar até 15 anos para ter suas liberações, enquanto muitos itens já foram liberados sem taxação”, alertou.
✨ Atrasos na liberação de produtos e barreiras técnicas afetam competitividade do Brasil.
O presidente da Faesp também abordou as exigências sanitárias que envolvem a carne brasileira, que, segundo ele, estão sendo usadas como barreiras no comércio internacional. Isso, aliás, afeta não apenas a carne, mas diversos outros produtos agropecuários. “Esse fenômeno é comum no comércio internacional, mas os países que o fazem estruturaram suas economias de maneira a dificultar a entrada de produtos brasileiros”, explicou.
Mudanças nas negociações comerciais
Meirelles observou que a transição de acordos bilaterais para blocos econômicos reduziu as possibilidades de negociações diretas, contribuindo para um aumento no protecionismo. Segundo ele, enquanto acordos bilaterais permitiam soluções diretas, a estrutura de blocos tornou essas questões mais complexas.
"É fundamental que o bloco sul-americano atue de forma coordenada, porque o objetivo maior é garantir a segurança alimentar mundial
Ele reforçou a importância de uma articulação mais eficaz entre os países da América do Sul para enfrentar as adversidades do cenário internacional e manter a competitividade no agronegócio. No caso dos Estados Unidos e da China, as sobretaxas de 55% e 25%, respectivamente, já demonstram um aumento nas exigências, algo que deve ser monitorado de perto.
Desafios na cadeia do leite
Por fim, Meirelles abordou a situação do setor leiteiro dentro do Mercosul, enfatizando a necessidade de um diálogo mais aberto com Argentina e Uruguai. “Precisamos alinhar a produção e o comércio leiteiro na região, pois isso é um desafio sério que não podemos ignorar”, concluiu.
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