Novo prazo para adequação volta foco ao controle na pecuária

A partir de 3 de setembro de 2026, a União Europeia irá descontinuar a compra de produtos brasileiros de origem animal que tenham sido tratados com antimicrobianos em qualquer ponto de sua vida. Essa nova exigência cria uma pressão significativa sobre a cadeia da carne bovina no Brasil, que precisará avançar em questões como rastreabilidade e o controle do uso desses medicamentos para manter seu acesso ao mercado europeu.
Para o pesquisador Fábio Araújo, da Embrapa Gado de Corte, o desafio reside não apenas nos produtores individuais, mas na capacidade do país de mostrar, através de registros oficiais, quais animais foram tratados com antimicrobianos. "O verdadeiro desafio do embargo é a conformidade dos regulamentos governamentais exigidos pela União Europeia sobre a rastreabilidade no uso desses medicamentos", afirmou ele.
O uso de antimicrobianos não é uma prática exclusiva do Brasil. Muitos países que tradicionalmente produzem carne utilizam esses medicamentos para tratar doenças, sempre com orientação veterinária e cumprindo o período de carência antes do abate. No entanto, a diferença crucial está na gestão e na documentação do uso desses produtos.
✨ O setor agrícola internacional está cada vez mais focado no uso racional de antimicrobianos e na adoção de produtos alternativos mais naturais.
Os antimicrobianos são frequentemente utilizados em confinamentos brasileiros para proteger o rúmen dos bovinos quando eles passam de uma dieta a base de pasto para uma alimentação concentrada em grãos. Esta prática, no entanto, é frequentemente realizada sem a devida prescrição ou supervisão. Investigações científicas estão sendo feitas para desenvolver substitutos, como os probióticos, que são bacterias benéficas que ajudam na saúde digestiva dos animais.
"Os probióticos promovem um efeito protetor na mucosa intestinal e, por meio da competição, previnem a colonização por bactérias patogênicas.
Além dos probióticos, outras alternativas como óleos essenciais e leveduras estão em pesquisa para substituir antimicrobianos, cada uma com diferentes efeitos benéficos sobre a saúde dos bovinos.
A busca por alternativas que imitam a eficiência dos antimicrobianos tradicionais está movimentando o setor privado. O pesquisador Lauriston Bertelli Fernandes, em parceria com a empresa Premix, desenvolveu o Fator-P. Esse produto, composto por minerais, aminoácidos, ácidos graxos, probióticos e prebióticos, foi criado para substituir antimicrobianos na dieta dos bovinos.
Fernandes afirma que os testes mostraram que o Fator-P pode igualar ou até superar o desempenho de produtos convencionais, com benefícios adicionais como melhora na qualidade da carne e no rendimento geral da carcaça. Em 2020, o produto foi reconhecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária como promotor de eficiência alimentar.
Perante as exigências europeias, a Premix decidiu mudar sua estratégia, conforme explica o presidente Marco Arruda Guidolin. "Estamos reestruturando o Fator-P para fornecê-lo como uma matéria-prima a outras empresas do setor, permitindo que eles possam aplicar a tecnologia em suas operações".
Ao explicar a situação do Brasil em comparação a países vizinhos como o Paraguai, Guidolin ressalta que na prática, o uso de antimicrobianos requer uma autorização de um médico veterinário, o que coloca o Paraguai e outros países em uma posição mais favorável em termos de controle sanitário.
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