Cresce a quantidade de pedidos negados, gerando preocupações legais

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) anunciou que a fila de espera por benefícios caiu para 1,55 milhão, o menor número em 21 meses, seguindo a determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de zerar a fila até 2026.
Contudo, a quantidade de pedidos indeferidos vem aumentando drasticamente, com cerca de 1 milhão de solicitações negadas apenas em junho, representando um crescimento de 70% se comparado ao ano anterior.
✨ A redução da fila é uma conquista, mas o aumento nos indeferimentos gera preocupação entre especialistas.
Os benefícios mais frequentemente negados são os de incapacidade, como o auxílio-doença e aposentadoria por invalidez. O Ministério da Previdência destacou que os indeferimentos ocorrem quando as exigências não são cumpridas, como falta de documentação adequada.
"Indeferimentos fazem parte do processo de análise de benefícios. Eles são corretos quando requisitos não são atendidos – Ministério da Previdência.
A diretora do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário, Jane Berwanger, criticou essa situação, chamando-a de uma "matemática que não fecha", enfatizando que a demanda pode simplesmente ser transferida para outra fase do processo judicial.
Ela alertou que a dificuldade em comprovar a incapacidade e a análise superficial durante a perícia médica podem ser fatores que agravam o número de indeferimentos.
O especialista Leonardo Rolim mencionou que a implementação de bônus para peritos e servidores resultou em uma redução significativa da fila de perícias, mas também pode ter gerado o aumento nos indeferimentos, que é uma consequência natural de mais análises realizadas.
Adicionalmente, novas regras limitam a apresentação de múltiplos requerimentos para o mesmo benefício, o que pode atrasar ainda mais o acesso ao benefício para os segurados.
✨ A nova regra, embora vise organizar a demanda, pode também encarecer e atrasar o acesso a direitos.
A substituição do Atestmed por perícias presenciais é considerada uma das razões para o aumento nos indeferimentos, segundo Rolim. O Atestmed, no passado, facilitou o acesso a auxílios, mas também permitiu fraudes.
Agora, com a exigência de perícia, muitos pedidos estão sendo negados com base na documentação, levando a uma maior necessidade de recursos judiciais.
Em resposta a essas preocupações, o Ministério da Previdência afirmou que o aumento no número de indeferimentos é proporcional ao volume de requerimentos e que o direito de recorrer permanece garantido aos segurados.
O governo assegurou que a revisão das decisões é um direito dos cidadãos, que podem recorrer administrativamente sem custos se não concordarem com o resultado de suas análises.
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