Setor hoteleiro critica projeto que altera check-in e check-out
Proposta pode impactar operações e custos dos hotéis no Brasil

Representantes do setor de hospitalidade e autoridades governamentais expressaram insatisfação, nesta terça-feira (12), na Câmara dos Deputados, ao discorrer sobre o Projeto de Lei 1639/25. A proposta, em exame pela Comissão de Defesa do Consumidor, estabelece horários fixos para check-in e check-out, à partir das 8h, 12h e 18h.
De acordo com os participantes da audiência, a iniciativa resultaria em significativas adaptações operacionais e alteraria as políticas trabalhistas dos estabelecimentos. O deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), autor da proposta, argumenta que seu intuito é promover maior flexibilidade às diárias, viabilizando um atendimento mais eficiente aos clientes.
✨ A proposta sugere um padrão que, segundo críticos, poderia desorganizar o modelo atual de operação dos hotéis.
Henrique Severien, diretor da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), enfatizou que a mudança comprometeria a lógica já estabelecida na hotelaria, que funciona com ciclos de entrada e saída coordenados. Isso é vital para garantir a limpeza e organização dos quartos, além do controle eficaz das reservas.
Seguindo a análise da ABIH, a imposição de três caixas horários fixos de check-in e check-out poderia exigir a ampliação da equipe de trabalho, aumentar os prazos para disponibilização dos quartos e diminuir a previsibilidade das operações.
Contexto
O debate sobre a proposta trouxe à tona que o sistema atual já conta com opções como early check-in, late check-out, day use, meia-diária e upgrades, conforme a disponibilidade dos hotéis.
Ricardo Rielo, assessor jurídico da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA), reforçou que o assunto já é abordado na Lei Geral do Turismo e que medidas de regulamentação podem ser desnecessárias. Daniela Saraiva, coordenadora de fiscalização do Ministério do Turismo, mencionou a importancia de uma Portaria (28/25) que favoreça uma padronização com flexibilidade nos serviços.
Osny da Silva Filho, diretor do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, questionou a necessidade de legislar sobre o tema. O relator da proposta, deputado Jorge Braz (Republicanos-RJ), comunicou que planeja revisar o texto a fim de garantir mais clareza sobre as opções de flexibilidade que os hotéis já oferecem. A ABIH alertou que a aceitação do projeto, sem as devidas alterações, poderia acarretar em um aumento nos custos operacionais e um risco elevado de judicialização na indústria.
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