Jovem militante foi homenageada durante cerimônia que destacou vítimas da ditadura militar.

Ana Maria Nacinovic, artista e militante, foi homenageada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com uma diplomação póstuma durante uma cerimônia realizada no dia 9 de setembro. A cerimônia reconheceu não apenas Nacinovic, mas também outros 25 alunos e professores da universidade que foram assassinados ou desapareceram durante a ditadura militar.
Nacinovic, que ingressou no curso de Artes Decorativas na UFRJ em 1968, abandonou seus estudos um ano depois para se juntar à luta armada, em meio ao crescente autoritarismo da época. Ela foi executada pelas forças de segurança em 14 de junho de 1972, aos 25 anos.
✨ A Comissão de Memória e Verdade da Escola de Belas Artes localizou documentos acadêmicos de Nacinovic e uma pintura inédita como parte dos esforços para reparar a memória de vítimas da ditadura.
A diplomação póstuma é um gesto de reconhecimento por trajetórias acadêmicas interrompidas pela violência do Estado. A CMV-EBA, formada em 2023, também incluiu a correção do nome de Nacinovic na diplomação, retirando o sobrenome de casada 'Corrêa', uma vez que seu ex-marido, um capitão do Exército, esteve envolvido em sua perseguição.
A pintura recuperada, inspirada na canção 'Até Pensei', de Chico Buarque, é vista como um símbolo importante da sua memória e da sensibilidade artística que Nacinovic possuía. O professor Pedro Meyer, proponente da comissão, destacou o valor da obra para restaurar a imagem de Nacinovic como artista.
Ana Maria Nacinovic, nascida no Rio de Janeiro em 1947, destacou-se em seus estudos artísticos desde cedo. Sua trajetória, marcada por um engajamento político intenso, culminou em sua morte trágica e em esforços contínuos de memória e reparação por parte da universidade.
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Jornalista especializado em Brasil

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