Invenção de Victor Lamparelli combina saberes ancestrais e tecnologia cerâmica.

O filtro de barro artesanal brasileiro, mais do que um utensílio nostálgico, é reconhecido como uma das tecnologias mais eficazes para purificação de água em todo o mundo. Sua combinação de cerâmica porosa com carvão ativado possibilita a remoção de impurezas, cloro e microrganismos de maneira acessível e sustentável.
A eficácia do filtro é resultante da simplicidade de sua engenharia natural. Com a união de tradições milenares de moldagem em argila e inovações da era industrial, o filtro se tornou um elemento constante nas cozinhas brasileiras, simbolizando a identidade cultural do país.
A evolução deste utensílio se dá através do encontro do conhecimento dos povos originários e das técnicas de imigrantes europeus. Antes da colonização, etnias como marajoaras e baniwa já moldavam moringas para conservar a água. Embora não filtrassem, esses recipientes demonstravam um notável domínio sobre as propriedades térmicas da cerâmica.
Na década de 1920, a urbanização e a falta de saneamento básico aumentaram a demanda por soluções que evitassem a propagação de doenças transmitidas pela água. O imigrante italiano Victor Lamparelli destacou-se ao industrializar a fabricação de filtros em Jaboticabal, São Paulo, criando o modelo clássico "Filtro São João", que introduziu a filtragem por gravidade no Brasil.
A praticidade do filtro se baseia na gravidade, onde a água depositada no reservatório superior filtra-se lentamente através da vela cerâmica, acumulando-se na parte inferior. Pesquisas indicam que a vela com carvão ativado consegue eliminar mais de 85% dos pesticidas, bloqueia bactérias e parasitas e neutraliza odores e cloro.
✨ A porosidade do barro também facilita a evaporação, reduzindo a temperatura da água interna em até 5 °C.
A manutenção do filtro é simples, requerendo apenas limpeza com bicarbonato de sódio e troca da vela a cada seis meses, o que garante a durabilidade do reservatório por até cinco anos.
O processo de fabricação do filtro inicia com a seleção cuidadosa de argilas preta e amarela, conferindo plasticidade à massa. Após moldagem, os recipientes são secados e queimados em altos fornos. O acabamento pode manter o tom natural da argila ou receber pinturas atóxicas.
Nos últimos anos, o filtro passou a ser valorizado também no design de interiores, encontrando espaço na decoração urbana. Os artesãos recomendam pigmentos naturais para preservar suas propriedades sem comprometer a saúde, solidificando o filtro como um patrimônio do artesanato e tecnologia brasileiros.
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Jornalista especializado em Cultura & Entretenimento

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