Brinquedo milenar promoveu competições e se tornou parte da cultura infantil brasileira.

Quem viveu a infância entre os anos 1980 e 1990 no Brasil, se recorda da febre de manobras que dominou pátios de escolas, praças e coleções de refrigerantes. Crescer no Brasil durante essas décadas significa ter tentado realizar manobras lendárias como a “volta ao mundo” ou o “cachorrinho passeando”.
A popularidade do ioiô no Brasil floresceu nos anos 80 e 90, impulsionada por promoções de marcas de refrigerantes que distribuíam modelos de acrílico translúcido e por promotores que realizavam demonstrações ao vivo. O que parecia um simples fenômeno nostálgico das tardes brasileiras é, na verdade, a continuação de uma história que começou há mais de 2.500 anos.
A origem deste brinquedo remonta a pelo menos 500 a.C., com vasos de cerâmica encontrados no Museu do Louvre que mostram crianças da Grécia Antiga brincando com discos de terracota. Naquela época, esses artefatos eram conhecidos como 'diskos' e também eram utilizados como oferendas aos deuses na passagem para a vida adulta. Com o tempo, o ioiô se espalhou pela Ásia, adotando o nome popular 'yo-yo' nas Filipinas, que significa 'voltar' ou 'vir'.
✨ Apesar da lenda urbana de que o ioiô era utilizado como arma, especialistas afirmam que se trata apenas de um brinquedo tradicional.
A grande revolução no brinquedo ocorreu em 1928, quando o imigrante filipino Pedro Flores inaugurou uma oficina em Los Angeles e introduziu uma mudança inovadora no mecanismo do ioiô. Flores prendeu a corda em um laço duplo no eixo, permitindo que o disco girasse livremente antes de retornar, o que resultou na tecnologia conhecida como “dorminhoco” (sleeper). Esse avanço possibilitou uma série de manobras acrobáticas, similar às que encantavam as crianças brasileiras nas décadas seguintes.
O empresário americano Donald F. Duncan notou o potencial da invenção de Flores e comprou a fábrica na década de 1930, registrando a marca Yo-Yo e estabelecendo um modelo de negócios baseado em febres periódicas. Ele contratava demonstradores profissionais para promover campeonatos em escolas e praças. Essa mesma estratégia de marketing chegou ao Brasil na segunda metade do século XX, transformando o ioiô em um item obrigatório entre os jovens.
Com a evolução da indústria, o uso de plástico de alta resistência e rolamentos de esferas permitiu giros ainda mais longos e rápidos. O sucesso do ioiô transcendeu o chão das praças, e em 1985 o brinquedo foi levado ao espaço no ônibus espacial Discovery pela NASA, para testar os efeitos da gravidade zero sobre o seu giro angular.
Atualmente, o ioiô é praticado como um esporte de alta performance em federações mundiais. No Brasil, encontros de praticantes e campeonatos nacionais continuam a manter viva a paixão por esse brinquedo, demonstrando que a combinação de física aplicada e nostalgia ainda conquistam novas gerações.
Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.
Gostou desta notícia? Compartilhe!
Jornalista especializado em Cultura & Entretenimento

Invenção de Victor Lamparelli combina saberes ancestrais e tecnologia cerâmica.

Oportunidades de descanso para trabalhadores brasileiros em 2026

Movimentos de direita têm promovido ataques a exposições e artistas desde 2017.

Homenagem será realizada antes da partida de despedida do jogador.