Psicanalista aborda a complexidade do luto e a adaptação à ausência.

Sigmund Freud descreveu o luto como um processo doloroso que envolve a adaptação à ausência de alguém querido, enfatizando que esquecer não é parte desse processo.
Ao abordar a dor da perda, frequentemente se ouve frases como 'Você vai superar', mas essa afirmação pode sugerir erroneamente que o esquecimento é uma opção quando, na realidade, a pessoa falecida permanece em nossa memória.
Freud, que perdeu sua filha Sophie durante a pandemia de gripe em 1920, deixa claro em correspondências que a dor e a falta são indeléveis.
✨ Esse 'trabalho de luto' implica reconhecer a perda gradualmente, mantendo vivos os laços afetivos com aqueles que partiram.
A psicanalista Jessica Oliveira complementa esse conceito ao afirmar que seguir em frente não significa apagar da história quem nos foi querido.
O trabalho de luto, conforme Freud, se diferencia da melancolia, pois o primeiro está diretamente associado à perda reconhecida, enquanto a melancolia traz uma autoavaliação negativa e a sensação de culpa.
Freud também elucidou em uma carta ao psiquiatra Ludwig Binswanger que, embora o tempo amenize a dor, não há substituto para o falecido, mostrando que os novos vínculos são apenas diferentes.
Assim, ao enfrentarmos uma perda, é importante compreender que superar significa transformar a nossa relação com isso, mantendo a memória e a importância da pessoa que partiu.
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Jornalista especializado em Cultura & Entretenimento

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