Economistas alertam para os riscos do elevado custo de emissão de títulos públicos e suas consequências fiscais.

A elevação das taxas de juros na França intensifica as preocupações sobre a sustentabilidade da dívida pública e a capacidade do governo em equilibrar suas contas.
Dados recentes mostram que os títulos franceses de dez anos estavam oferecendo um rendimento de 4,79% ao ano em 16 de outubro, próximo aos níveis registrados durante a crise financeira de 2008. Neste mês, as taxas ultrapassaram 4,9%, marcando os maiores patamares desde 2002.
✨ O diferencial em relação aos títulos alemães atingiu 1,4 ponto percentual, demonstrando uma maior percepção de risco por parte dos investidores.
A dívida pública da França totaliza 119% do PIB, e para 2026, o déficit é previsto em 5,4%. O governo busca aprovar um ajuste de € 54 bilhões para 2027, mas enfrenta resistência política.
O custo médio da dívida, atualmente em 2,2% ao ano, pode aumentar com novas emissões, que estão próximo de 4,8%. Com cerca de 12% do estoque a ser refinanciado anualmente, a despesa com juros pode subir de € 79,2 bilhões em 2026 para € 91,2 bilhões em 2027.
Uma simulação revela que, se a situação se mantiver, os juros poderão atingir € 147 bilhões em 2036, com um custo médio de 4,08% ao ano. A continuidade das altas taxas pode dificultar o ajuste fiscal e aumentar as incertezas sobre a estabilização do endividamento do país.
""O maior risco não está em uma alta pontual dos juros, mas na permanência desse custo elevado. Quanto mais tempo os spreads estiverem pressionados, maior será a parte da dívida refinanciada a taxas superiores, dificultando o ajuste fiscal e gerando novas apreensões quanto à sua sustentabilidade."
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